Aumento no uso de canetas emagrecedoras reforça papel da atividade física para preservar massa muscular

Com aumento de 78,3% nas vendas de medicamentos para emagrecimento, especialista explica por que a atividade física é fundamental durante o tratamento

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Aumento no uso de canetas emagrecedoras reforça papel da atividade física para preservar massa muscular
Foto: Divulgação

O crescimento do uso de canetas emagrecedoras no Brasil tem chamado a atenção de profissionais de saúde para um aspecto importante do tratamento: a preservação da massa muscular. Embora os medicamentos possam contribuir para a redução do peso, especialistas alertam que o emagrecimento também pode provocar perda de músculos, especialmente quando não há acompanhamento adequado.

Dados da Associação de Distribuidores Farmacêuticos do Brasil apontam que a comercialização de medicamentos voltados ao controle de peso aumentou 78,3% entre 2021 e 2025, passando de 4,1 milhões para 7,3 milhões de unidades vendidas.

Somente em 2025, o crescimento nas vendas de canetas emagrecedoras chegou a 39,1% em comparação com o ano anterior, evidenciando a expansão do consumo desses produtos no país.

Canetas emagrecedoras podem provocar perda de massa muscular?

Durante o processo de emagrecimento, parte do peso eliminado pode corresponder à massa muscular. Esse efeito merece atenção porque os músculos desempenham funções importantes para a força, a mobilidade e a realização das atividades cotidianas.

Segundo Everton Raeda, profissional de educação física e gestor técnico da Rede Alpha Fitness, a prática regular de exercícios, principalmente a musculação, pode ajudar a reduzir essa perda.

“Quando existe uma perda de peso significativa, é importante olhar para além da balança. O exercício, especialmente o treinamento de força, ajuda a preservar a massa muscular e a capacidade funcional durante esse processo. Por isso, ele deve fazer parte de uma estratégia mais ampla, sempre respeitando as condições e as orientações dos profissionais que acompanham o tratamento”, explica Everton Raeda, profissional de educação física e gestor técnico da Rede Alpha Fitness.

Exercícios físicos são aliados durante o emagrecimento

A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que o tratamento da obesidade com medicamentos da classe dos GLP-1 seja acompanhado de outras medidas, como alimentação equilibrada, atividade física regular e assistência de profissionais de saúde.

Nesse contexto, a prática de exercícios não deve ser considerada apenas uma estratégia para aumentar o gasto calórico, mas também uma forma de preservar a força muscular e favorecer a manutenção dos resultados alcançados.

Entre as atividades que podem integrar a rotina estão caminhadas, musculação, exercícios aeróbicos e outras modalidades adequadas às condições físicas de cada pessoa.

A recomendação é que a intensidade e a frequência sejam ajustadas progressivamente, respeitando possíveis limitações e as orientações dos profissionais responsáveis pelo acompanhamento.

“O objetivo não deve ser simplesmente perder peso, mas construir condições para manter uma rotina mais ativa e saudável no longo prazo. O exercício precisa ser encarado como parte do processo. A consistência é mais importante do que buscar uma rotina excessiva ou incompatível com a realidade de cada pessoa”, destaca o profissional.

Acompanhamento médico é essencial para quem utiliza canetas emagrecedoras

Apesar da popularização desses medicamentos, especialistas reforçam que o uso das canetas emagrecedoras exige avaliação e acompanhamento médico.

A OMS destaca que as terapias medicamentosas devem integrar uma abordagem abrangente de cuidado da obesidade, considerando as necessidades individuais e a segurança dos pacientes.

Além da prescrição adequada, o acompanhamento permite avaliar a resposta ao tratamento e orientar mudanças na alimentação e na prática de atividades físicas.

Para Everton Raeda, o caminho é combinar diferentes estratégias, em vez de considerar os medicamentos e os exercícios como alternativas isoladas.

“Medicamento, alimentação e atividade física não precisam ser vistos como estratégias concorrentes. Quando existe indicação para o uso de medicamentos, o exercício pode complementar o tratamento e ajudar a preservar aquilo que queremos manter durante o emagrecimento: força, funcionalidade e qualidade de vida. O mais importante é que todo esse processo seja individualizado e acompanhado por profissionais”, conclui o gestor técnico da Rede Alpha Fitness.

Assim, além da redução dos números na balança, o tratamento deve priorizar a preservação da massa muscular, a saúde e a qualidade de vida, com hábitos que possam ser mantidos a longo prazo.

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