Ansiedade e depressão: saiba como a atividade física pode impactar positivamente a saúde mental
Exercícios podem favorecer o humor, o sono e a autoestima, mas especialistas alertam que a prática deve respeitar os limites individuais e não virar motivo de cobrança

Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ansiedade e depressão estão entre as condições mais prevalentes e podem provocar impactos significativos na rotina, incluindo isolamento, perda de interesse por atividades e dificuldade para realizar tarefas do dia a dia.
Embora iniciar uma rotina de exercícios possa ser especialmente difícil para quem enfrenta esses sintomas, a atividade física pode funcionar como uma importante aliada do bem-estar e da saúde mental.
A psicóloga Fabiane Veiromber explica que o estilo de vida exerce influência sobre a saúde mental. Nesse contexto, movimentar o corpo pode ajudar na regulação do humor, na qualidade do sono, na disposição e na percepção que cada pessoa tem sobre si.
“Do ponto de vista psicológico, existe também um aspecto comportamental muito importante: quando uma pessoa consegue se movimentar, realizar uma atividade e perceber que foi capaz de fazer aquilo, ela pode experimentar uma sensação maior de competência e autonomia”, destaca a psicóloga.
Depressão e ansiedade podem dificultar início dos exercícios
Para pessoas que convivem com depressão ou ansiedade, começar uma atividade física pode representar um desafio. Isso acontece porque essas condições podem afetar diretamente a motivação e o comportamento.
Na depressão, por exemplo, pode ocorrer a anedonia, caracterizada pela redução do interesse ou da capacidade de sentir prazer em atividades que antes eram consideradas agradáveis. Com isso, ações aparentemente simples podem exigir um esforço maior.
Fabiane ressalta, porém, que sedentarismo e isolamento não devem ser apontados como causas únicas da ansiedade ou da depressão. A saúde mental envolve diferentes fatores. Ainda assim, a falta de atividade e o afastamento social podem contribuir para ciclos de sofrimento, baixa autoestima, solidão, redução de experiências prazerosas e dificuldade para manter uma rotina ativa.
Exercício não deve virar fonte de cobrança
Apesar dos benefícios relacionados à prática esportiva, transformar o exercício em uma obrigação marcada por comparações e cobranças excessivas pode ser prejudicial.
“Estamos vivendo uma época de aumento no cuidado e na realização de atividade física, mas, por causa da busca por performance e dos altos padrões de exigência, o exercício pode deixar de ser uma ferramenta de cuidado e virar mais uma obrigação baseada em cobrança, comparação ou perfeccionismo. Uma forma de evitar isso é reduzir as comparações, alinhando metas e objetivos, diminuindo a necessidade de performance e entendendo qual é o seu objetivo real nesse contexto”, alerta Fabiane.
O profissional de educação física Felipe Chokito explica que os benefícios do movimento envolvem diferentes sistemas do organismo e podem refletir diretamente no bem-estar.
“Quando movimentamos o corpo, ativamos diferentes sistemas do organismo. A atividade física favorece a circulação sanguínea, melhora a oxigenação, contribui para a regulação do sono e estimula a liberação de substâncias relacionadas à sensação de prazer, disposição e bem-estar”.
Segundo Chokito, os benefícios não se restringem aos efeitos fisiológicos. A atividade física também pode ajudar na construção de uma rotina, fortalecer a autoestima, proporcionar sensação de conquista e favorecer a convivência social. Esses fatores podem colaborar para diminuir o estresse e aliviar sintomas relacionados à ansiedade e à depressão.
Como começar a praticar atividade física?
Para quem está sem disposição, triste ou ansioso, a recomendação é começar gradualmente. Chokito destaca que esperar pela motivação antes de iniciar nem sempre funciona, já que a própria prática pode contribuir para que ela apareça.
“A orientação é começar com metas pequenas: levantar-se, trocar de roupa, sair de casa e caminhar por cinco ou dez minutos. Escolher uma atividade agradável, convidar alguém de confiança e deixar tudo preparado com antecedência também são condutas que ajudam muito. Nos dias mais difíceis, fazer um pouco já é uma vitória. O importante é evitar comparações e respeitar o próprio momento”, conclui Chokito.
A atividade física pode integrar estratégias de cuidado e promoção da saúde, mas não substitui acompanhamento profissional quando há sintomas persistentes ou significativos de ansiedade, depressão ou outros transtornos mentais.



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