Setembro Amarelo reforça alerta sobre saúde mental de crianças e adolescentes

Mudanças persistentes no comportamento, isolamento, alterações no sono e queda no desempenho escolar estão entre os sinais que merecem atenção de famílias e escolas

Bahia
Setembro Amarelo reforça alerta sobre saúde mental de crianças e adolescentes
Foto: magnific.combr

Mudanças repentinas no comportamento de crianças e adolescentes podem representar mais do que uma fase passageira. Deixar de demonstrar alegria, se isolar no quarto, apresentar irritação frequente ou ter uma queda inesperada no desempenho escolar estão entre os sinais que podem indicar sofrimento emocional.

Dados apresentados pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apontam que uma em cada seis pessoas entre 10 e 19 anos convive com alguma condição de saúde mental. Metade desses quadros começa até os 14 anos, sendo que muitos permanecem sem diagnóstico ou tratamento.

No Brasil, levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), em parceria com o Child Mind Institute e publicado em 2024, estima que aproximadamente 20% dos jovens de 10 a 19 anos enfrentam algum tipo de transtorno mental. O estudo também indica que as notificações de autolesão nessa faixa etária passaram de 15 para 133 casos por 100 mil habitantes entre 2015 e 2019.

Outro dado que chama atenção aparece na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE em 2024 e divulgada neste ano. Quase três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos relataram tristeza frequente. Além disso, 42,9% disseram se sentir irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa, enquanto 18,5% afirmaram pensar, sempre ou na maioria das vezes, que a vida não vale a pena ser vivida.

Durante o Setembro Amarelo, período dedicado à ampliação das discussões sobre saúde mental, a psicóloga Amanda Cunha alerta que o sofrimento emocional também atinge crianças e adolescentes e nem sempre é comunicado de maneira direta.

“Criança e adolescente nem sempre conseguem dizer ‘eu tô triste’ ou ‘eu tô ansioso’. Antes mesmo de chegar à fala, o sofrimento aparece no corpo e no comportamento”, explica.

Mudanças de comportamento podem servir de alerta

De acordo com Amanda, familiares e educadores devem observar principalmente alterações que fogem do comportamento habitual da criança ou do adolescente. Entre elas estão irritabilidade, agressividade ou silêncio excessivo, além de mudanças no sono e no apetite.

Queda no rendimento escolar, perda de interesse por atividades que antes davam prazer, isolamento, afastamento de amigos ou da escola e queixas físicas sem causa médica identificada, como dores de cabeça ou de barriga, também merecem atenção. Medos mais intensos e episódios frequentes de choro diante de situações cotidianas podem integrar esse conjunto de sinais.

A psicóloga ressalta, no entanto, que um comportamento isolado não significa necessariamente a existência de um problema de saúde mental. A atenção deve ser ampliada quando as mudanças se repetem, permanecem por semanas ou começam a prejudicar a rotina.

“Não precisa esperar piorar pra buscar ajuda”, ressalta.

Uma avaliação profissional considera também a fase de desenvolvimento da criança ou do adolescente, já que determinados comportamentos podem ser esperados em algumas idades e representar sinais de sofrimento em outras.

Família e escola ajudam a identificar mudanças

Como crianças e adolescentes nem sempre conseguem reconhecer ou explicar o que estão sentindo, a observação de familiares, responsáveis e profissionais da escola pode contribuir para identificar alterações precocemente.

O levantamento do IEPS e do Child Mind Institute também aponta desafios na assistência à saúde mental infantojuvenil no Brasil. Segundo o estudo, as intervenções nessa área ainda são pouco avaliadas e estão concentradas principalmente nas regiões Sul e Sudeste, cenário que pode deixar necessidades específicas de outras partes do país, como Norte e Nordeste, menos contempladas.

Como funciona o acompanhamento psicológico

O atendimento psicológico de crianças e adolescentes apresenta características próprias. Como a expressão verbal dos sentimentos pode ser mais difícil, brincadeiras, desenhos, jogos e outros recursos lúdicos podem ser utilizados durante as sessões.

“É assim que a criança consegue mostrar o que sente sem precisar colocar isso em palavras”, explica Amanda.

A participação dos adultos responsáveis também integra esse processo. Dependendo do caso, a escola pode contribuir para o acompanhamento e para a compreensão das mudanças observadas no cotidiano.

“Os pais entram junto nesse processo, e a escola também quando dá, porque a criança não muda sozinha, ela muda dentro do ambiente onde vive.”

Comentários:

Ao enviar esse comentário você concorda com nossa Política de Privacidade.

Logo Sou da Bahia
Resumo das Políticas

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.