Lula busca virada inédita contra Flávio Bolsonaro em reta final acirrada

Com 1,87 ponto percentual de diferença no primeiro turno, presidente aposta na mobilização de eleitores ausentes

Política
Lula busca virada inédita contra Flávio Bolsonaro em reta final acirrada
Ricardo Stuckert

Por Sara Santos

A dois dias do segundo turno das Eleições 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta o desafio de reverter a vantagem conquistada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na primeira etapa da disputa presidencial. Com a menor diferença percentual já registrada entre os dois primeiros colocados em um primeiro turno desde a redemocratização, a eleição chega à reta final marcada pelo esforço das campanhas para conquistar novos eleitores e evitar a desmobilização de suas bases.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A diferença de 1,87 ponto percentual superou a marca anterior, registrada em 2022, quando o atual presidente terminou a primeira etapa à frente de Jair Bolsonaro (PL) por 5,23 pontos percentuais.

A disputa de 2026 também coloca Lula diante de um desafio histórico. Desde a redemocratização, nenhum candidato à presidência que terminou o primeiro turno atrás do adversário conseguiu reverter o resultado e vencer a eleição no segundo turno. Caso consiga a virada, o petista protagonizará um feito inédito nesse período da história eleitoral brasileira.

Abstenção coloca milhões de eleitores no centro da disputa

Um dos principais focos da campanha de Lula nesta reta final tem sido a mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a abstenção chegou a 21,08% em 4 de outubro, o equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de pessoas. Foi o maior índice registrado em um primeiro turno de eleições gerais desde 1998.

Em 2022, a taxa de abstenção no primeiro turno foi de 20,95%. Naquele ano, o percentual caiu para 20,59% na segunda votação presidencial, contrariando a tendência observada nas disputas anteriores.

Historicamente, a ausência de eleitores costuma crescer do primeiro para o segundo turno. Entre os fatores que contribuem para esse movimento estão a redução das disputas em alguns estados, o fim das campanhas para os cargos legislativos e a diminuição da mobilização proporcionada por candidatos locais.

A abstenção, entretanto, não representa um bloco eleitoral com preferência política definida. Por isso, o desafio das campanhas não consiste apenas em convencer quem faltou a votar, mas também em alcançar eleitores que ainda não decidiram seu voto e aqueles que podem optar por branco ou nulo.

O próprio TSE anunciou que pretende intensificar as ações para estimular o comparecimento às urnas no segundo turno. Eleitores que não votaram na primeira etapa podem participar da votação deste domingo (25), desde que estejam com a situação eleitoral regular.

Pesquisa aponta empate técnico na reta final

A proximidade entre os candidatos também aparece nos levantamentos de intenção de voto divulgados na última semana. Pesquisa Quaest publicada na quarta-feira (21) mostrou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula.

Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, os dois aparecem em situação de empate técnico. O levantamento ouviu 2.154 eleitores entre os dias 17 e 20 de outubro, com nível de confiança de 95%.

O resultado indica uma oscilação negativa de um ponto percentual para Flávio em relação à pesquisa anterior, enquanto Lula manteve o mesmo percentual. Embora o levantamento não permita afirmar uma mudança consolidada de tendência, os números mostram uma disputa apertada a poucos dias da votação.

“Cenário imprevisível”

Em entrevista ao Sou da Bahia, o cientista político Cláudio André avaliou que o cenário permanece imprevisível diante do desempenho recente de Lula nas pesquisas.

“Temos um cenário muito imprevisível diante do crescimento do presidente Lula e melhora em alguns indicadores, como pudemos ver hoje no resultado da Quaest. Isso quer dizer que a corrida pelo voto fica mais intensa, mas os dados da Quaest apontam para uma melhora nos indicadores do presidente Lula, que podem fazer diferença na reta final”, afirmou.

Para o especialista, a disputa também se reflete nas estratégias adotadas pelos dois candidatos. Ambos participaram do debate promovido pela Band e confirmaram presença no debate da TV Globo, ampliando as oportunidades de exposição às vésperas da votação.

Cláudio André também destacou iniciativas anunciadas ou encaminhadas pelo governo federal durante o período eleitoral. Entre elas, citou medidas relacionadas ao Bolsa Família, à segurança pública, à legislação voltada aos microempreendedores individuais (MEIs), à tarifa zero no transporte e ao fim da escala de trabalho 6×1.

Na avaliação do cientista político, essas ações podem influenciar a percepção dos eleitores sobre o governo e a candidatura à reeleição, especialmente entre aqueles que ainda não consolidaram sua escolha.

“Estas ações podem mexer nos ponteiros na reta final, ainda mais com a manutenção de eleitores pragmáticos e indecisos que decidem na reta final das próximas 72h”, acrescentou.

Últimos dias concentram esforços para conquistar votos

Com a votação marcada para domingo (25), Lula encara o desafio inclui reduzir a diferença aberta por Flávio Bolsonaro e mobilizar uma parcela do eleitorado que ficou ausente na primeira votação. Para o candidato do PL, a tarefa passa por sustentar a vantagem obtida em 4 de outubro e transformar a liderança no primeiro turno em votos suficientes para vencer a disputa.

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