Igreja Católica divulga carta que aponta riscos na candidatura de Flávio Bolsonaro

Manifesto assinado por bispos critica posições atribuídas ao candidato

Política
Igreja Católica divulga carta que aponta riscos na candidatura de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro – Vitor Salles/PL

Bispos católicos divulgaram, nesta quinta-feira (22), uma carta aberta na qual afirmam que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) representa uma ameaça à democracia, à soberania nacional e ao bem comum. O documento, assinado inicialmente por 35 religiosos de diferentes dioceses do país, convoca os fiéis a votar em defesa dos valores humanitários e dos direitos dos mais pobres.

O manifesto foi divulgado pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo. Embora não cite diretamente o nome de Flávio Bolsonaro, o texto apresenta críticas a posições atribuídas ao candidato sobre direitos trabalhistas, política externa, acesso às armas e preservação ambiental.

Carta critica propostas atribuídas a Flávio Bolsonaro

Os religiosos descrevem o cenário eleitoral como “muito grave” e afirmam que a disputa representa mais do que uma escolha nas urnas.

“Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, tantas vezes já praticada no Brasil, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação, cujos exemplos na história do século XX deixaram cruéis e amargas lembranças”, diz um trecho da carta.

Entre os pontos destacados está a posição atribuída ao candidato sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Os bispos afirmam que a candidatura contrária à mudança “não reconhece a dignidade do trabalhador e poderá voltar a este tema”.

O documento também questiona a relação com os Estados Unidos e menciona a participação do candidato em uma articulação para taxar produtos brasileiros, em referência às tarifas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump.

A ampliação do acesso às armas, as políticas ambientais e o combate à pobreza também são citados como temas de divergência entre as posições atribuídas ao candidato e os ensinamentos sociais da Igreja Católica.

Bispos mencionam democracia e direitos sociais

A carta também faz referência ao histórico político da família Bolsonaro e aponta declarações que, segundo os religiosos, representariam ameaças à ordem constitucional. O texto questiona ainda a possibilidade de concentração de poder no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF).

Sem citar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os bispos reconhecem que a outra candidatura também está sujeita a críticas, mas destacam o compromisso que atribuem a ela com a população mais pobre, o meio ambiente e a ordem democrática.

“Temos outra candidatura que, embora também esteja sujeita a críticas, sempre manifestou responsabilidade com os pobres e com a Casa Comum e atuou dentro dos limites da ordem democrática, respeitando a Constituição. Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja”, afirmam.

CNBB divulga posicionamento oficial sobre eleições

Na quarta-feira (21), o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma mensagem oficial ao povo brasileiro sobre o segundo turno das eleições presidenciais. Diferentemente da carta assinada pelo grupo de bispos, o pronunciamento institucional não menciona diretamente os candidatos.

No documento, a entidade defende a Constituição, o Estado Democrático de Direito e o respeito aos resultados das urnas. A mensagem também destaca a necessidade de garantir direitos fundamentais, como trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança, além da proteção ambiental e da promoção da paz.

“O voto é livre e secreto. Ameaçar ou pressionar eleitores bem como negociar votos são práticas inadmissíveis”, afirma o Conselho Permanente da CNBB.

A entidade também orienta os eleitores a considerar a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e com as condições de vida da população.

“Governos recebem mandatos, os cidadãos conservam a responsabilidade de participar, fiscalizar e reivindicar”, diz outro trecho da mensagem.

Quem assina a carta

Entre os religiosos que assinaram o manifesto estão dom Evaristo Pascoal Spengler, da Diocese de Roraima; dom Adolfo Pereira, da Diocese do Alto Solimões; e dom Joaquim Hudson de Souza Ribeiro, de Manaus.

A carta foi apresentada como uma manifestação de bispos católicos de diferentes regiões do país, em comunhão com a CNBB. O documento, contudo, não deve ser confundido com o pronunciamento oficial do Conselho Permanente da entidade.

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