Lula chama Flávio de “cúmplice” no caso da morte de menina de 5 anos
O senador atuou na defesa do policial militar acusado pelo crime

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “cúmplice” no caso da morte de Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos. A declaração foi feita nesta quinta-feira (22), durante uma transmissão ao vivo com o deputado federal André Janones (Rede-MG) e a atriz Camila Pitanga.
“Como é que um ser humano, que é senador da República, que é pai, tem coragem de trabalhar para que o assassino de uma criança não seja condenado?”, questionou Lula.
Na sequência, o presidente acusou o senador de tentar impedir que informações sobre a origem da munição fossem identificadas. “Então, não é só que ele é cúmplice de um assassinato, ele não quer que as pessoas saibam a verdade”, afirmou.
Caso foi tema do debate presidencial
A morte de Ana Clara voltou ao centro da disputa eleitoral durante o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro realizado no domingo (18), na Band. Na ocasião, o presidente cobrou explicações do senador por sua atuação como advogado do policial militar Bruno Dias Delarolli, acusado de efetuar os disparos que atingiram a criança.
Em resposta, Flávio Bolsonaro afirmou que Lula não deveria tratar o policial como culpado antes da conclusão do julgamento. “Nem teve julgamento e você condenou o cara”, respondeu o senador.
A atuação de Flávio na defesa do policial também envolve um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para contestar a decisão que encaminhou o caso ao Tribunal do Júri. O recurso foi rejeitado, e o processo ainda aguardava julgamento definitivo em outubro de 2026.
Relembre o caso
Ana Clara Gomes Machado foi atingida por disparos em fevereiro de 2021, quando brincava na porta de casa, na comunidade de Monan Pequeno, no bairro de Pendotiba, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), os tiros foram efetuados durante uma ação policial. O cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delarolli foi acusado de homicídio com dolo eventual, sob a alegação de que assumiu o risco de provocar uma morte ao atirar em uma área residencial.
O policial chegou a ser preso preventivamente, mas passou a responder ao processo em liberdade no fim de 2021. O caso ainda não havia sido julgado definitivamente até outubro de 2026.



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