Lula articula votação da escala 6×1 entre os dois turnos das eleições

Acordo com cúpula do Senado pode destravar PEC após primeiro turno; governo vê medida como uma das principais bandeiras da campanha

Política
Lula articula votação da escala 6×1 entre os dois turnos das eleições
Foto: SEAUD/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançou nas articulações para tentar destravar a votação da proposta que prevê o fim da escala 6×1 no Senado após o primeiro turno das eleições. Segundo fontes envolvidas nas negociações ouvidas pela CNN, o governo recebeu nos últimos dias uma sinalização positiva da cúpula da Casa sobre a possibilidade de o texto ser levado ao plenário.

A eventual votação entre o primeiro e o segundo turno pode colocar uma das principais bandeiras trabalhistas defendidas por Lula novamente no centro do debate eleitoral. Ainda não há, porém, uma data definida para a análise da proposta.

Votação pode ocorrer já na próxima semana

As conversas entre o governo e o comando do Senado não descartam que a votação aconteça já na próxima semana, mas a data ainda não foi fechada.

A PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro e aguarda análise do plenário. O texto estabelece a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e prevê dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já havia afirmado que a proposta seria votada após as eleições. A previsão divulgada na ocasião era de que o novo esforço de votação ocorresse na segunda semana de outubro.

Medida ganha espaço na campanha

De acordo com uma avaliação atribuída a um integrante da campanha de Lula, a votação da proposta entre os dois turnos poderia ajudar o presidente na disputa pela reeleição, diante do cenário eleitoral envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A escala 6×1 passou a ocupar espaço maior na estratégia eleitoral do governo depois de permanecer sem votação no plenário do Senado durante o período previsto inicialmente.

O tema chegou a ser tratado como uma das pendências do pacote eleitoral de Lula. A proposta não fazia parte, inicialmente, das prioridades do governo, mas passou a ser incorporada ao discurso do presidente diante da crise de popularidade enfrentada no primeiro semestre.

PEC já avançou no Senado

A proposta começou a avançar no Senado após articulações entre Lula e Alcolumbre. Em agosto, o presidente da Casa encaminhou a PEC para análise da CCJ depois de reuniões com o presidente da República.

No fim daquele mês, Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), definiram pautas prioritárias para o Congresso, entre elas o fim da escala 6×1. Na ocasião, Alcolumbre afirmou que as matérias seriam deliberadas durante o esforço concentrado previsto para a semana seguinte.

Em setembro, no entanto, a votação da PEC no plenário acabou ficando para depois do primeiro turno. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), havia afirmado que a intenção era votar o texto antes da eleição ou, caso isso não fosse possível, na segunda semana de outubro.

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