Falando de Dinheiro:É o que fica
Confira a coluna de Raphael Caneiro

Troféu Kako Caminha. Se por acaso tem alguém do Norte/Nordeste que me lê e disputou competição de natação em algum momento da infância/adolescência, provavelmente vai associar rapidamente esse nome a uma competição. E é isso mesmo. É uma competição de base da natação no norte e nordeste brasileiro.
O ano era 1993. Mais especificamente, maio de 1993. Estava com seis anos e meio. Completaria sete em agosto daquele ano. E o Kako Caminha aconteceu em Manaus. Minha primeira viagem de avião. Meus pais fizeram um esforço grande para ir. Meu pai e eu. Dias antes, meu pai sonhou que o avião caía. Depois ele nos contou que até escreveu uma carta e deixou guardada no armário antes de viajar.
Troféu Kako Caminha. Se por acaso tem alguém do Norte/Nordeste que me lê e disputou competição de natação em algum momento da infância/adolescência, provavelmente vai associar rapidamente esse nome a uma competição. E é isso mesmo. É uma competição de base da natação no norte e nordeste brasileiro.
O ano era 1993. Mais especificamente, maio de 1993. Estava com seis anos e meio. Completaria sete em agosto daquele ano. E o Kako Caminha aconteceu em Manaus. Minha primeira viagem de avião. Meus pais fizeram um esforço grande para ir. Meu pai e eu. Dias antes, meu pai sonhou que o avião caía. Depois ele nos contou que até escreveu uma carta e deixou guardada no armário antes de viajar.
Como já devem ter percebido, o sonho não se concretizou. Viajamos, nadei, voltamos. Hotel na beira de um rio, clima diferente, outro estado, outra realidade. Mentiria aqui se falasse que ganhei (ou que perdi) alguma coisa. Não me lembro das provas. Mas tenho bem viva a lembrança de um passeio de barco, que saía da porta do hotel, e de um boneco. Os Cavaleiros do Zodíaco faziam sucesso na época. Eu nem assistia, passava na TV no horário que eu estava treinando (aquela época que não tinha YouTube nem streamings para ver o que se quer na hora que se quer). Mas voltei com um deles.
Seiya (obrigado Google por me ajudar com a escrita correta). Um boneco com roupa vermelha, uma armadura de metal e um pégaso que ele montava em cima. Tudo baratinho lá da Zona Franca de Manaus.
Essa é minha maior lembrança de minha primeira competição fora de Salvador.
Dani Cup. Se por acaso tem alguém que me lê e tem alguma relação com o futebol de base, vai associar rapidamente esse nome a uma competição. E é isso mesmo. É uma das principais competições brasileiras (com participações de equipes da América do Sul) do futebol de base.
O ano é 2026. Mais especificamente, julho de 2026. Estou com 39 anos. Mas, calma, não joguei nada. Os papéis se inverteram. Essa foi a minha vez de fazer o esforço. Aperto aqui, ajuste ali. Concessões, privações. As contas que precisaram caber pra que isso coubesse. E lá fui eu com Pedro para sua primeira competição fora de Salvador como goleiro.
Não sei qual a lembrança ele terá dessa primeira experiência. O contato com crianças de diversos clubes, a surpresa de o goleiro titular se machucar nos dois jogos contra a base do Red Bull Bragantino, e ele ter que jogar contra eles, ter sido vice-campeão, o barro vermelho que sujava até a cueca ou talvez o passeio pelo zoológico de Ribeirão e a visita a uma antiga pedreira.
Não sei o que vai permanecer com ele depois de 10, 20, 33 anos. Mas algo ficará. Talvez o esforço que o pai dele fez para que ele pudesse vivenciar tudo isso.
É o que fica.
E esse talvez seja o ensinamento mais importante para a vida dele. Ou talvez tenha sido para a minha. Vai saber.



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