Douglas: um craque inesquecível

Camisa 8 do Bahia entre 1972 e 1980, Douglas marcou uma geração e deixou seu nome entre os grandes ídolos da história tricolor

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Douglas: um craque inesquecível

Pacheco Maia

Neste Dia dos Pais, uma nota triste: a morte de Douglas da Silva Franklin. Um amigo diria que a lembrança deste nome revela que sou idoso. Kkkkk. Pois é, tenho 60. Sou um sexagenário.

O tempo passou, mas a memória deste grande craque está viva, vivíssima! Para mim, será sempre dele a Camisa 8 do Tricolor de Aço! Bobô tem o seu valor. Conquistou o Brasileirão de 88. Mas Douglas…

Douglas vestiu a camisa do Bahia por nove temporadas, de 1972 a 1980. Ocupava uma posição no time, cujo nome foi até abolido no futebol atual: ponta de lança. Hoje chamam de meia-atacante.

Inesquecível a chinfra que tirava, usando uma fitinha para evitar que as madeixas castanhas atrapalhassem a sua visão. E que visão ele tinha do jogo. Não só para se colocar, receber, driblar e fazer o gol, mas também para servir os companheiros.

Incríveis as tabelinhas dele com Beijoca. Deixavam a torcida em delírio, quando aquela harmonia de toques balançavam as redes adversárias. Eram espetáculos sensacionais naquelas tardes de domingo e noites de quarta.

Depois de 1959, o Bahia foi campeão brasileiro em 88, mas poderia ter sido em 1978. Possivelmente, tenha sido um dos melhores times do Esquadrão. Douglas estava lá com Beijoca, Jésum, Jorge Campos, Fito e outras feras.

Tive a glória de entrevistar Douglas, quando trabalhava no jornal Bahia Hoje, em 1994. Na ocasião, não perdi a oportunidade de perguntar sobre a campanha de 1978 no Campeonato Brasileiro.

Eu estava lá na partida contra o Palmeiras em que o Bahia precisava apenas de uma vitória simples e foi eliminado com o empate em 1×1. A Fonte Nova estava apinhada de gente, como nunca tinha visto antes. A lotação oficial foi de 80 mil pessoas.

Para Douglas, a saída de Beijoca no início da partida por causa de uma chegada forte de um jogador do Palmeiras que o lesionou foi determinante para o Bahia não sair vitorioso.

Concordo! Faltou Beijocão para romper a barreira palmeirense. Douglas perdeu o colega que era a referência de gol do time. Não havia dúvida que o Bahia anteciparia em 10 anos o bicampeonato, mas…

Douglas não foi campeão brasileiro vestindo o manto tricolor, mas conquistou sete vezes seguidas o campeonato baiano numa época em que o nível da disputa era muito superior ao atual e a rivalidade BaVi alcançou seu auge.

Ele estava predestinado a jogar no Bahia. Quando deixou o Santos em 1972, tinha duas propostas. América do Rio ou o Tricolor de Aço. Preferiu vir para Salvador e não pegou o avião que ia para o Rio, que acabou caindo em Petrópolis.

Vivia dizendo que o Bahia salvara sua vida. Tinha uma forte identidade com o clube baiano e sua torcida. Integrava o time do Santos com Pelé em 1968, que aplicou uma das maiores goleadas sofridas pelo Bahia: 9×2.

A Estrela fazia uns jogos de botão de plástico com o retrato dos jogadores no final dos anos 1960. Eu tinha o do Santos e lá estava Douglas entre os craques da Vila Belmiro.

Neste Dia dos Pais, Douglas da Silva Franklin se despediu da gente e, certamente, agora está reunido no panteão dos

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