Falando de Dinheiro| Banco de reservas

Esse ano desbloqueamos uma nova aventura por aqui: pais de goleiro. Pedro foi chamado para uma equipe e nos levou junto para esse universo. Eu não fazia ideia de quão grande ele é. E das várias nuances que envolvem uma equipe de crianças que disputam campeonatos de futebol.
Na semana passada, o time foi vice-campeão de um torneio. Ganharam do Vitória na semifinal e perderam para o Bahia na decisão. Entre sorrisos de orgulho pela campanha, algumas lágrimas de quem já se via levantando o troféu – haviam sido campeões no ano passado em cima do mesmo Bahia.
Todo o ambiente me chamou muito a atenção, principalmente por como o treinador consegue ajustar diversas demandas. Da montagem do time para a disputa do jogo às questões individuais de cada criança (e, em alguns casos, algumas ponderações dos pais também).
Ao final do campeonato, fui conversar com ele e parabenizar por esse traquejo. Um dos pontos que abordei foi a sensibilidade e o cuidado de saber quando colocar ou quando não colocar uma criança no jogo, mesmo que haja sempre a esperança de todo mundo jogar. Fui surpreendido pela resposta.
“Tenho que ter muito cuidado com os meninos. Não é só ir pro jogo ou não. Além do esforço, do físico, tenho que ir com calma muitas vezes. Algumas crianças não estão preparadas. Podem errar, o que é normal, mas se as pessoas as culparem por uma derrota, até os próprios amigos, pode traumatizar, pode não querer mais jogar, posso perder a criança só por escalar quando ela não estava pronta”.
Confesso que isso não tinha passado pela minha cabeça. Não é sobre o jogo, não é sobre querer ganhar, não é dar espaço por dar espaço. O cuidado é maior – envolve observação, um passo a passo no dia a dia de cada um. Antecipar etapas pode custar caro. Exagerar na dose pode gerar traumas. E aí o parabenizei mais uma vez por toda essa preocupação.
E, de fato, em muitas situações, a pressa mais atrapalha do que ajuda. Querer antecipar por antecipar não é o caminho. Resolver rápido para sentir que resolveu pode piorar o cenário. Com as dívidas, por exemplo. Querer acelerar, resolver tudo de vez, se livrar do problema é o caminho que quase todo mundo quer. Assim como toda criança quer entrar no jogo para jogar.
Mas o querer não pode superar a realidade. Quando se está em situação de endividamento, não temos muitas chances para tentar. Geralmente há somente uma tentativa. E ela tem que ser tomada com calma. Avaliar bem todo o cenário, entender o que está acontecendo e o que levou àquele momento.
Não é fraqueza pausar antes de agir. É o que separa uma tentativa bem feita de uma mal calculada. Algumas perguntas ajudam nesse momento. Há condição de passar o mês bem se a dívida não existisse? Há margem para manobrar no orçamento? Quais as saídas que podemos tomar?
São algumas perguntas que devem ser feitas antes de qualquer movimento. Nem todo problema se resolve de uma vez. Alguns só melhoram quando a gente consegue sustentar o processo. E é melhor deixar a criança no banco por um tempo do que perder a criança para sempre.



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