A Política Não Pode Destruir o Que Dá Certo

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A Política Não Pode Destruir o Que Dá Certo

No Brasil, a cada eleição, assistimos a um fenômeno silencioso, caro e extremamente prejudicial para a população: a interrupção de projetos públicos exitosos apenas porque foram criados por adversários políticos.

Milhões e milhões de reais são investidos em estudos, planejamentos, consultorias, equipes técnicas, comunicação, estruturação e execução de políticas públicas. Muitas dessas iniciativas funcionam, entregam resultados, melhoram a vida das pessoas, fortalecem cidades, estados e setores inteiros da economia. Mas, infelizmente, basta acontecer uma alternância de poder para que inúmeros projetos sejam engavetados, abandonados ou simplesmente apagados.

E não por falta de eficiência.

Não por reprovação popular.

Não por irregularidades.

Mas porque o novo gestor, muitas vezes, teme conviver com o legado positivo do antecessor.

Essa prática precisa ser debatida com maturidade.

A democracia permite, e deve permitir, alternâncias políticas. Isso faz parte do processo democrático. O que não pode continuar acontecendo é a destruição de políticas públicas eficientes por mera disputa de ego, vaidade ou narrativa eleitoral.

Quando um gestor vence uma eleição, ele recebe das urnas a missão de governar melhor. Não recebe autorização para desmontar tudo o que encontrou pela frente. Aliás, se aquele governo anterior foi derrotado, em muitos casos isso não aconteceu por causa dos projetos que deram certo, mas sim pelos erros administrativos, políticos ou estratégicos que levaram à sua reprovação.

Projetos exitosos pertencem à população, não a partidos políticos.

Uma cidade não pode parar porque mudou o prefeito.

Um estado não pode recomeçar do zero a cada quatro anos.

O dinheiro público não pode ser tratado como ferramenta de vaidade institucional.

Defendo, inclusive, que o Brasil avance para um modelo mais rígido de continuidade administrativa responsável. Projetos estruturantes e comprovadamente eficientes deveriam passar por auditorias técnicas independentes, realizadas por órgãos de controle, como Controladorias, Tribunais de Contas e Ministérios Públicos, para avaliar seus resultados reais e determinar sua continuidade, independentemente da ideologia partidária do gestor seguinte.

A política precisa amadurecer.

Governar não deveria ser apagar marcas do passado, mas construir melhorias sobre o que já foi bem feito.

Os países mais desenvolvidos do mundo avançam porque possuem políticas de Estado, e não apenas políticas de governo. Existe continuidade, planejamento de longo prazo e respeito pelo dinheiro público.

Enquanto continuarmos vivendo ciclos de destruição administrativa a cada eleição, o Brasil seguirá desperdiçando recursos, tempo e oportunidades.

A população não quer guerras de ego.

A população quer resultados.

E toda gestão verdadeiramente comprometida com o povo deveria ter grandeza suficiente para reconhecer, manter e ampliar aquilo que funciona, independentemente de quem criou.

Porque, no final das contas, o sucesso de uma política pública não deveria ter dono político.

Deveria ter dono social: o povo.

Gegê Magalhães
Empresário, gestor público e diretor de Promoção e Qualificação Turística de Salvador

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