Eduardo Bolsonaro diz que Mendonça pode ser preso caso Flávio não seja eleito

Ex-deputado relacionou o futuro do ministro do STF ao resultado da eleição e anunciou reunião nos Estados Unidos

Política
Eduardo Bolsonaro diz que Mendonça pode ser preso caso Flávio não seja eleito
Foto: Reprodução | Redes Socias

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou na última terça-feira (15) que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça poderá ser alvo de uma tentativa de prisão caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não seja eleito presidente da República.

A declaração foi publicada nas redes sociais após uma sessão extraordinária do STF terminar sem definição sobre a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo Eduardo, Mendonça estaria sob risco por ter tornado públicos supostos crimes financeiros. Na publicação, o ex-deputado também afirmou que, caso não haja responsabilização dos envolvidos, pessoas que se opuserem a essas práticas poderão ser perseguidas.

“No fim, a verdade é que se o país não prender esses criminosos eles irão prender todos que ousem se insurgir contra seus crimes. Não é uma época de covardia, mas de coragem”, escreveu.

A postagem foi acompanhada por uma imagem que mistura elementos das bandeiras do Brasil e da Venezuela.

Sessão do STF termina sem decisão

O julgamento que motivou a manifestação de Eduardo envolvia a possibilidade de investigação contra Alexandre de Moraes, mas terminou sem uma definição após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Durante a sessão, Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem para que os processos relacionados a Moraes e Mendonça fossem analisados conjuntamente e deixassem a relatoria de Edson Fachin, passando por redistribuição mediante sorteio.

A proposta também envolvia o relatório sobre as relações entre Moraes e Daniel Vorcaro.

Votaram pela manutenção da matéria como estava Fachin, Cármen Lúcia, André Mendonça e Luiz Fux. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin defenderam a unificação dos processos.

Flávio Dino pediu vista antes de registrar seu voto, o que interrompeu a análise.

Eduardo terá reunião em Washington

Além das declarações sobre Mendonça, Eduardo Bolsonaro tem uma reunião prevista em Washington, nos Estados Unidos, para discutir a possibilidade de retomada de sanções contra Alexandre de Moraes.

A informação foi confirmada à Gazeta do Povo pelo empresário Paulo Figueiredo.

Moraes havia sido sancionado pelos Estados Unidos com base na Lei Global Magnitsky, em 30 de julho de 2025. As medidas foram retiradas em 12 de dezembro do mesmo ano.

Na semana passada, Edson Fachin revogou a designação de Moraes para conduzir o inquérito das fake news.

Críticas à composição do Supremo

Na publicação, Eduardo classificou a crise como resultado de supostos crimes cometidos por integrantes das instituições públicas. Ele também criticou ministros que, segundo sua avaliação, fazem parte da ala favorável a Moraes.

Atualmente, o STF reúne ministros indicados por diferentes presidentes da República. Edson Fachin e Luiz Fux foram indicados por Dilma Rousseff (PT), enquanto Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia foram indicados por governos petistas.

Alexandre de Moraes foi indicado por Michel Temer (MDB). Já Kassio Nunes Marques e André Mendonça chegaram à Corte por indicação de Jair Bolsonaro (PL).

Gilmar Mendes foi indicado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 2002.

Novo julgamento está previsto para setembro

Na próxima quarta-feira (23), está previsto o julgamento de um processo aberto de ofício por Edson Fachin para tratar da crise no Supremo.

Foi nesse processo que o presidente da Corte suspendeu duas liminares divergentes de Flávio Dino e André Mendonça relacionadas ao afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.

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