“Sabotaram a eleição”, acusa Lucas Reis sobre redução de ônibus em Salvador
Deputado federal eleito pelo PT cobra investigação da Polícia Federal após reportagem apontar que prefeitura autorizou aumento dos intervalos de linhas de ônibus no domingo do segundo turno.

O deputado federal eleito Lucas Reis (PT) acusou o grupo político do prefeito Bruno Reis e do ex-prefeito ACM Neto, ambos do União Brasil, de suposta sabotagem eleitoral em Salvador. A declaração foi feita após reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta terça-feira (27) apontar que a prefeitura autorizou a redução de viagens de ônibus em algumas das principais linhas da capital baiana no domingo (25), dia do segundo turno das eleições.
“Sabotaram a eleição e foram derrotados. O povo venceu, mas o prefeito deve explicações à Justiça. A Polícia Federal deve investigar com rigor o que aconteceu na capital”, declarou o parlamentar.
Ofício previa aumento dos intervalos
Segundo a reportagem, um ofício encaminhado às empresas de ônibus em 19 de outubro previa intervalos maiores em linhas que atendem os terminais da Lapa, Mussurunga e Pirajá.
Um dos exemplos citados foi a linha 1246, que liga Pirajá a Patamares. Para o dia da votação, o intervalo previsto era de 70 minutos, em comparação com os 22 minutos habituais em dias úteis.
Lucas Reis afirmou que as mudanças indicam uma possível ação coordenada de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) em Salvador. O deputado eleito também atribuiu às caronas solidárias organizadas por eleitores o fato de a redução da oferta de ônibus não ter provocado, segundo sua avaliação, um impacto maior na abstenção.
“Há indícios claros de uma ação orquestrada dos aliados de Flávio Bolsonaro em Salvador para sabotar a eleição. Não é normal que os intervalos entre as viagens de ônibus tenham sido previamente alterados. Os baianos não vão esquecer a traição do grupo político que foi derrotado nas urnas”, afirmou.
Deputado questiona versão da Secretaria de Mobilidade
O parlamentar também contestou declarações do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. Nesta terça-feira, o titular da pasta classificou as denúncias como “narrativa” e afirmou que não havia previsão de circulação de 100% da frota de ônibus no domingo.
Segundo Lucas Reis, a fala contradiz um anúncio anterior da Prefeitura de Salvador de que os coletivos circulariam com a frota integral dos dias úteis durante a votação.
“Agora, tentam explicar o inexplicável. Tiraram ônibus das ruas no dia da eleição, dificultaram o deslocamento dos eleitores e depois tentaram jogar a responsabilidade sobre os trabalhadores. Isso é grave e precisa ser investigado. Quem tomou essa decisão deve responder por ela”, completou.
As acusações de sabotagem eleitoral foram feitas pelo deputado eleito. A confirmação de eventual irregularidade e de responsabilidade pela decisão depende de apuração dos órgãos competentes.



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