Reserva no Baixo Sul da Bahia guarda mais de 200 espécies de plantas e celebra 10 anos de proteção
Localizada em Igrapiúna, Reserva Espinita preserva área de Mata Atlântica, abriga centenas de espécies da fauna e flora e se tornou espaço para pesquisas e ecoturismo

A chegada da primavera chama atenção para um patrimônio ambiental preservado no Baixo Sul da Bahia. Localizada em Igrapiúna, a Reserva Espinita celebra, em 2026, dez anos desde o reconhecimento como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema).
A unidade possui 118 hectares reconhecidos como área de conservação de Mata Atlântica e está inserida em uma propriedade de aproximadamente 150 hectares. O espaço, que no passado funcionou como fazenda produtora de cacau, seringa e cravo-da-índia, passou por um processo de transformação voltado à preservação ambiental e, atualmente, também recebe atividades de pesquisa e ecoturismo.
Cerca de 130 pessoas visitam a reserva por ano, entre professores, estudantes, pesquisadores e ecoturistas. Levantamentos preliminares apontam a presença de 230 espécies de plantas nativas catalogadas. Entre elas estão Embiruçu, Juerana, Paratudo, Landirana, Oiti, Copaíba, Sapucaia, Jacarandá-da-baía, Bacupari e Muricis.
A biodiversidade também está presente na fauna. A Reserva Espinita registra 228 espécies de aves, incluindo beija-flores, e é reconhecida como Important Bird and Biodiversity Area (IBA), dentro do Programa Áreas Importantes para a Conservação de Aves.
Além das aves, foram identificadas 24 espécies de mamíferos, entre elas a Preguiça-de-Coleira e a Sussuarana. A área também abriga diferentes fungos e possui 16 nascentes responsáveis pelo abastecimento de três rios que deságuam na Baía de Camamu.
De fazenda a área de conservação
A iniciativa de transformar a Espinita em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural começou a ganhar força ainda na década de 1990. A preservação da mata despertou no médico veterinário e gestor da propriedade, Antônio Maia, o interesse pela conservação permanente da área de Mata Atlântica.
No início dos anos 2000, o conhecimento sobre os procedimentos necessários para transformar uma propriedade privada em unidade de conservação contribuiu para o avanço do projeto. O reconhecimento oficial pelo Inema ocorreu em 2016.
Desde então, a reserva passou a receber estudantes e pesquisadores interessados em diferentes áreas relacionadas ao meio ambiente. Entre as instituições que já desenvolveram atividades no local estão a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).
Os trabalhos acadêmicos também contribuíram para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade existente na região, inclusive com a identificação e catalogação de espécies.
“Em uma área de Mata Atlântica, o trabalho de preservação realizados pelos pesquisadores é necessário para preservação e manutenção da floresta. Pensando em ampliar o acesso à informação, lançamos um site oficial como uma nova ferramenta para troca de conhecimento, realizações de estudos e, principalmente, apresentar nossa história”, ressalta Antônio Maia.
Segundo o gestor, a plataforma também reúne informações sobre o Guardiões de Espinita, programa criado para aproximar pessoas e instituições interessadas no estudo e na preservação da Mata Atlântica.
Programa Guardiões da Espinita
O Guardiões de Espinita foi desenvolvido para estabelecer novas parcerias e captar recursos destinados à manutenção e expansão das atividades realizadas na reserva.
O apoio pode ocorrer por meio de recursos financeiros, materiais, equipamentos ou prestação de serviços. De acordo com a iniciativa, as contribuições também podem ser utilizadas integralmente como cashback na contratação de produtos da Reserva Espinita.
Informações sobre participação no programa, benefícios, projetos em andamento, transparência e a galeria de guardiões estão disponíveis no site oficial da Reserva Espinita.



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