Randerson Leal celebra liberação de emendas impositivas para a oposição em Salvador e projeta regulamentação para 2027

Em entrevista ao "Sou da Bahia", parlamentar destacou que medida restabelece paridade de forças entre os blocos políticos

Política
Randerson Leal celebra liberação de emendas impositivas para a oposição em Salvador e projeta regulamentação para 2027
Reginaldo Ipê/CMS

O líder da bancada de oposição na Câmara Municipal de Salvador (CMS), vereador Randerson Leal (Podemos), classificou como um marco histórico o acordo firmado com o Executivo municipal para o pagamento de emendas parlamentares impositivas a todos os integrantes do legislativo soteropolitano, independentemente de alinhamento partidário.

Em entrevista ao portal Sou da Bahia nesta quarta-feira (3), o parlamentar destacou que a medida restabelece a paridade de forças entre os blocos políticos e assegura recursos diretos para intervenções nas comunidades mais vulneráveis da capital.

O entendimento foi selado durante uma reunião realizada na semana anterior com o prefeito Bruno Reis (União Brasil). A articulação contou com a mediação direta do presidente da CMS, Carlos Muniz (PSDB), e do líder da bancada governista, Kiki Bispo (União Brasil).

“Nós conseguimos um avanço importantíssimo. Eu tenho falado que é um marco histórico da Câmara Municipal e o fortalecimento da democracia aqui em Salvador, que foi justamente o reconhecimento, por parte do prefeito Bruno Reis, do direito de cada vereador e de cada vereadora de receber as emendas parlamentares impositivas”, afirmou Randerson.

“Eu, logo quando assumi a liderança da oposição em janeiro deste ano, coloquei algumas pautas para debater, e uma delas era justamente as emendas parlamentares. Nunca, na história da Câmara Municipal, um vereador de oposição recebeu emendas. O prefeito foi muito solícito, atendeu os vereadores de forma republicana e garantiu o pagamento”, completou.

Critérios de partilha e autonomia legislativa

Pelo modelo pactuado entre os poderes, cada um dos 43 vereadores de Salvador terá direito a uma cota de R$ 1,2 milhão em emendas no orçamento. Os recursos possuem destinação carimbada por lei para assegurar investimentos em áreas sociais prioritárias:

  • 50% (R$ 600 mil) obrigatoriamente vinculados a ações e serviços públicos de saúde;
  • 25% (R$ 300 mil) direcionados para o custeio ou investimentos em educação;
  • 25% (R$ 300 mil) reservados para a execução de obras e serviços estruturais nos bairros.

O líder da oposição ressaltou a importância dessa divisão para dar respostas concretas às demandas que chegam aos gabinetes, corrigindo uma distorção histórica em que apenas a base aliada ao Palácio Thomé de Souza conseguia direcionar investimentos para suas bases eleitorais.

Além da liberação imediata da verba, o planejamento da Câmara prevê a votação, ainda neste ano legislativo, de um projeto de emenda à Lei Orgânica do Município para blindar a prerrogativa. A proposta visa transformar o repasse em uma obrigação constitucional definitiva a partir de 2027, impedindo que futuros gestores utilizem a liberação de emendas como ferramenta de barganha política.

“É injusto você não receber nenhum valor de emenda parlamentar para levar uma obra para a comunidade, sendo que nós somos muito cobrados. Nós conseguimos esse pagamento e, mais ainda, vamos votar este ano um projeto para regulamentar as emendas parlamentares impositivas”, disse.

“Ou seja, a partir de 2027, o prefeito que sentar na cadeira será obrigado a pagar. É um ganho inédito e histórico que irá marcar a Câmara Municipal, porque demonstra fortalecimento e o protagonismo da Casa como um poder público autônomo e independente”, concluiu o vereador.

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