Colégio São Paulo antecipou tendência que agora ganha força no Congresso
Enquanto o Congresso discute a inclusão da educação financeira no currículo escolar, instituição de ensino da capital baiana já trabalha o tema há anos com foco em consumo consciente, planejamento e sustentabilidade

O avanço do Projeto de Lei 2.979/2023 no Congresso Nacional voltou a colocar a educação financeira em evidência no debate sobre o ensino brasileiro. A proposta, aprovada em uma das casas legislativas na última semana, prevê que o tema seja incorporado ao currículo do ensino fundamental e médio de forma transversal, integrado a disciplinas como matemática e história, sem a criação de uma matéria específica.
Enquanto o texto segue para novas etapas de análise antes de uma eventual sanção, algumas instituições de ensino já desenvolvem iniciativas voltadas ao tema. Em Salvador, o Colégio São Paulo, Unidade Tempo de Criança, mantém há anos o projeto “Dinheiro não dá em árvore”, destinado aos estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental.
A proposta foi estruturada a partir de dados que apontam desafios na relação dos jovens com o dinheiro. Segundo levantamento do SPC Brasil, 56% dos integrantes da Geração Z realizam compras por impulso e 47% afirmam não ter controle financeiro. Diante desse cenário, a escola desenvolveu um projeto que une educação financeira e sustentabilidade, incentivando o planejamento econômico aliado ao consumo consciente.
Além do aprendizado sobre operações matemáticas e reconhecimento de moedas, os alunos são estimulados a compreender que o dinheiro é resultado de trabalho, esforço e organização. O projeto também relaciona essa percepção ao uso responsável dos recursos naturais, reforçando a importância da preservação ambiental.
Para colocar os conceitos em prática, os estudantes participam de atividades como feiras de troca, oficinas de reaproveitamento de materiais e simulações de compra e venda em sala de aula, aproximando o conteúdo da realidade cotidiana.
“O movimento recente em torno da obrigatoriedade da educação financeira nas escolas só confirma o que já defendemos na prática há anos. Não esperamos uma exigência para formar cidadãos conscientes: queremos que nossos alunos planejem seus gastos, tomem decisões responsáveis e entendam que o planeta também tem limites. Educar financeiramente é, ao mesmo tempo, educar para a sustentabilidade. Ao integrar economia e meio ambiente, o projeto mostra que educar é plantar sementes que florescem em escolhas mais responsáveis”, afirma Sônia Alban, pedagoga e coordenadora do Ensino Fundamental do Colégio São Paulo, unidade Tempo de Criança, da Inspira Rede de Educadores.
A metodologia adotada pela instituição é baseada na filosofia dos cinco Rs da sustentabilidade: repensar hábitos de consumo e descarte, recusar produtos prejudiciais ao meio ambiente e à saúde, reduzir desperdícios, reutilizar objetos sempre que possível e reciclar materiais. A proposta busca mostrar aos estudantes que pequenas mudanças de comportamento podem gerar impactos positivos tanto para o orçamento familiar quanto para a preservação ambiental.



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