Alterações na tireoide atingem até 8,5% das mulheres e podem comprometer a gestação

Desequilíbrios hormonais impactam ovulação, gestação e qualidade seminal; acompanhamento médico é essencial para quem deseja engravidar

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Alterações na tireoide atingem até 8,5% das mulheres e podem comprometer a gestação
Foto: Divulgação

A fertilidade humana não depende apenas dos órgãos reprodutivos. O sistema endócrino tem papel central nesse processo, com destaque para a tireoide, uma das principais glândulas responsáveis por regular funções hormonais essenciais ao organismo.

Pequenas alterações na produção hormonal, muitas vezes silenciosas, podem interferir diretamente no ciclo menstrual, na ovulação e até na evolução de uma gestação. Dados da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) apontam que entre 4% e 8,5% das mulheres apresentam disfunções tireoidianas sem sintomas aparentes — índice que tende a ser maior entre pacientes com infertilidade.

A tireoide atua na regulação do metabolismo por meio dos hormônios T3 e T4, que influenciam diversos sistemas, incluindo o reprodutivo. Quando há desequilíbrio na produção dessas substâncias, funções hormonais fundamentais podem ser comprometidas. “Isso pode resultar em ciclos menstruais irregulares, ausência de ovulação e dificuldades para engravidar. Mesmo quando a concepção ocorre, alterações hormonais podem impactar a manutenção da gestação”, explica a especialista em Ginecologia e Obstetrícia e médica do IVI Salvador, Andreia Garcia.

Entre os principais distúrbios estão o hipotireoidismo e o hipertireoidismo. O primeiro é caracterizado pela baixa produção hormonal e pode causar ciclos irregulares, anovulação e aumento da prolactina. Já o hipertireoidismo, marcado pelo excesso de hormônios, também interfere no ciclo menstrual e pode elevar o risco de complicações como parto prematuro e baixo peso ao nascer.

“Mulheres com hipotireoidismo não tratado também podem apresentar maior risco de abortamento espontâneo, anemia na gestação, pré-eclâmpsia e parto prematuro. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental antes e durante a gravidez”, destaca a especialista.

Os efeitos da tireoide não se limitam às mulheres. Nos homens, alterações na função da glândula podem impactar a produção de testosterona, a formação dos espermatozoides e a qualidade do sêmen. Além disso, podem estar associadas à diminuição da libido e disfunção erétil, condições que, em muitos casos, são reversíveis com tratamento adequado.

A avaliação da função tireoidiana é recomendada principalmente em casos de dificuldade para engravidar, abortos de repetição, irregularidade menstrual ou durante a preparação para Fertilização in Vitro (FIV). “Mesmo alterações discretas podem demandar tratamento. O objetivo é garantir que os níveis hormonais estejam adequados para favorecer a ovulação e a implantação do embrião”, pontua Andreia Garcia.

Durante a gestação, a demanda por hormônios tireoidianos aumenta, especialmente no primeiro trimestre, fase em que o feto ainda não possui uma tireoide funcional. Nesse período, o organismo materno precisa suprir essa necessidade para garantir o desenvolvimento neurológico adequado do bebê. Alterações não controladas elevam o risco de complicações.

“Investigar a função tireoidiana é uma etapa importante para mulheres que estão tentando engravidar ou planejam iniciar um tratamento de reprodução assistida. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível melhorar significativamente as chances de uma gravidez saudável”, conclui a especialista.

Sobre o IVI – RMANJ
Fundado em 1990, na Espanha, o IVI foi a primeira instituição médica especializada exclusivamente em reprodução humana. Atualmente, o grupo conta com cerca de 190 clínicas em 15 países e sete centros de pesquisa, sendo considerado referência mundial em medicina reprodutiva.

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