Agosto Lilás: Lauro de Freitas promove roda de conversa sobre violência contra a mulher
A atividade reuniu mães de crianças e adolescentes atendidos pelo serviço e abordou os diferentes tipos de violência de gênero, os mecanismos de proteção e os serviços disponíveis no município

Em alusão ao Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, a Prefeitura de Lauro de Freitas promoveu, nesta quinta-feira (13), uma roda de conversa no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi). A atividade reuniu mães de crianças e adolescentes atendidos pelo serviço e abordou os diferentes tipos de violência de gênero, os mecanismos de proteção e os serviços disponíveis no município.
A ação foi realizada de forma intersetorial pela Secretaria Municipal da Mulher, Políticas Afirmativas, Direitos Humanos e Promoção da Igualdade Racial (Sempadhir), por meio do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) Lélia Gonzalez, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesa), responsável pelo CAPSi.
Informação e acolhimento
Durante o encontro, foram discutidas formas de violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, além da importância de identificar situações de abuso e buscar ajuda. As participantes também receberam orientações sobre canais de denúncia e os serviços que integram a rede municipal de enfrentamento à violência contra a mulher.
Para a psicóloga Cíntia Cavalcante Machado, a iniciativa busca aproximar os serviços da população e fortalecer a rede de proteção.
“Nosso objetivo é contribuir para a reconstrução da autoestima, apoiar a mulher na construção de novos projetos de vida e ajudá-la a romper o ciclo da violência. Muitas vezes, essa violência não começa com uma agressão física. Por isso, é fundamental que a mulher consiga reconhecer o que está vivendo e saiba que não está sozinha”, destacou.
Segundo a profissional, o enfrentamento à violência depende da atuação conjunta de diferentes áreas.
“O CRAM é um serviço de portas abertas e trabalha em articulação com a saúde, a assistência social e outros setores da rede para garantir direitos. Em muitos casos, a vulnerabilidade social também está associada à violência. Por isso, buscamos oferecer diferentes formas de apoio, como orientação jurídica, benefícios eventuais, acolhimento, encaminhamento para abrigo e atendimento em saúde. Temos um trabalho conjunto de 20 anos para que essa mulher tenha condições de romper esse ciclo”, explicou.
Relato de superação
Durante a roda de conversa, Fabiola Santana, 44 anos, compartilhou uma experiência pessoal e relatou como o contato com o CRAM contribuiu para que reconhecesse e rompesse uma situação de violência psicológica.
Fabiola trabalhou durante cinco anos no serviço e contou que foi nesse período que identificou como abusivo um relacionamento que durou 16 anos.
“Foi trabalhando no CRAM que consegui perceber que meu relacionamento era abusivo. Nunca sofri violência física, mas vivia uma situação de abuso psicológico constante. Foi convivendo com o serviço, ouvindo as profissionais e conhecendo as diferentes formas de violência que consegui nomear aquilo que estava vivendo”, relatou.
Ela também destacou a importância do acolhimento recebido para recuperar a autoestima e compreender o próprio valor.
“O CRAM foi uma porta de saída para mim. Entendi o meu valor e consegui romper aquele ciclo. O abuso psicológico dói. A gente sente, mas muitas vezes é um peso invisível que carregamos e não conseguimos compartilhar com ninguém. Tenho muito a agradecer à equipe do CRAM que fez parte desse processo, porque vocês mudaram a minha vida”, afirmou, emocionada.
CRAM Lélia Gonzalez
Localizado na Avenida Praia de Pajussara, nº 537, em Vilas do Atlântico, o CRAM Lélia Gonzalez oferece acolhimento, atendimento multidisciplinar, suporte psicológico, assistência social e orientação jurídica para mulheres em situação de violência.
A atividade realizada no CAPSi reforçou a importância da informação e do acolhimento como ferramentas de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher. A proposta é ampliar o acesso aos serviços de proteção e orientar as mulheres sobre os caminhos disponíveis para buscar ajuda.
Rede de proteção
Entre os canais de atendimento disponíveis estão o Disque 180, Central de Atendimento à Mulher; o CRAM Lélia Gonzalez, pelo telefone (71) 3289-1032; e o Núcleo Especial de Atendimento à Mulher (NEAM), pelo telefone (71) 99901-5880.
Também fazem parte da rede de proteção as unidades policiais do município, entre elas a 23ª Delegacia Territorial – Centro, a 27ª Delegacia Territorial – Itinga e a 34ª Delegacia Territorial – Portão.



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