Mulher realizou mais de 100 mil trotes ao Samu de Salvador, afirma gerente
Segundo Ivan Paiva, as ligações cessaram após o caso ser encaminhado ao Ministério Público e ao Tribunal de Justiça

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Salvador completa 21 anos de atuação neste sábado (18) enfrentando um problema que segue impactando o atendimento à população: os trotes telefônicos. A central recebe, em média, mais de mil ligações por dia, mas apenas cerca de 300 resultam no envio de ambulâncias para ocorrências de emergência.
Em entrevista à Rádio Metrópole, nesta sexta-feira (17), o gerente executivo do Samu, Ivan Paiva, afirmou que as ligações falsas continuam comprometendo o trabalho das equipes e podem atrasar o socorro a quem realmente precisa do serviço.
Segundo o gestor, um dos casos mais graves registrados pela central envolveu uma mulher que chegou a realizar entre 600 e 700 trotes por dia, acumulando cerca de 120 mil chamadas falsas. A autora foi identificada, o caso foi encaminhado ao Ministério Público e ao Tribunal de Justiça, e as ligações cessaram após a tramitação do processo.
“Isso afetava a saúde mental de quem trabalha lá, porque lidamos diariamente com situações de emergência e, quando atendemos a ligação, precisamos acreditar que há uma vida em risco. Muitas vezes, do outro lado, encontramos alguém brincando, falando palavrão ou tentando atrapalhar o socorro”, relatou Ivan Paiva.
Além da atuação repressiva, o Samu realiza ações de conscientização em escolas para alertar crianças e adolescentes sobre os prejuízos causados pelos trotes. O gerente destacou que esse tipo de prática pode ocupar as linhas da central e atrasar o atendimento de ocorrências reais.
“Às vezes as pessoas reclamam que o Samu demorou para atender, mas existe alguém ocupando nossa linha telefônica com situações que não são reais”, completou.



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