Prefeitura promove cardápio inclusivo para alunos neurodivergentes em Salvador

Iniciativa da Prefeitura de Salvador oferece alimentação personalizada para estudantes com seletividade alimentar, alergias e restrições religiosas, garantindo acolhimento nas unidades de ensino

Bahia Salvador
Prefeitura promove cardápio inclusivo para alunos neurodivergentes em Salvador
Foto: Robson Lopes/ Secom PMS

A rede municipal de ensino de Salvador está adotando medidas para tornar a alimentação escolar mais inclusiva e adaptada às necessidades dos estudantes. Por meio da Secretaria Municipal da Educação (Smed), a Prefeitura desenvolve cardápios personalizados para crianças neurodivergentes, considerando particularidades alimentares, preferências individuais e restrições específicas.

A iniciativa busca garantir que o momento das refeições seja mais acolhedor, respeitando as necessidades de cada criança e estimulando a convivência com os colegas. O planejamento alimentar é realizado por nutricionistas e gestores escolares, que acompanham a rotina dos estudantes.

Uma das unidades que desenvolvem esse trabalho é o Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Calabar, onde são adotadas recomendações específicas para atender crianças com seletividade alimentar e outras necessidades nutricionais.

Alimentação inclusiva estimula convivência e desenvolvimento

No Cmei Calabar, o acompanhamento é realizado por profissionais da Secretaria Municipal da Educação, incluindo a nutricionista Fernanda Fontes, que destaca a importância de respeitar as individualidades dos estudantes.

“Atender essas crianças com algumas particularidades alimentares dentro do ambiente escolar é de suma importância, pois entramos diretamente na questão da individualidade. O momento da alimentação com os colegas é essencial no dia a dia e funciona como uma forma de incentivo para expandir a alimentação, muitas vezes mais padronizada em casa”, afirma Fernanda.

Além de oferecer refeições adequadas, a proposta pretende incentivar a ampliação gradual da variedade de alimentos consumidos pelas crianças, respeitando suas particularidades.

Escola adapta cardápios conforme necessidades dos alunos

Para identificar as necessidades alimentares dos estudantes, a equipe do Cmei Calabar mantém contato com as famílias e observa diariamente o comportamento das crianças durante as refeições.

De acordo com a coordenadora da unidade, Kelle Cristina, o diálogo com os responsáveis é fundamental para a construção de um atendimento individualizado.

“Buscamos ajustar o cardápio para que todos se sintam acolhidos e respeitados. Realizamos entrevistas com os pais e observamos tudo diariamente, levantando as preferências e ajustando o cardápio escolar”, relata Kelle.

A escola trabalha com três tabelas de orientações alimentares, destinadas a estudantes com seletividade alimentar, alergias e restrições relacionadas a questões religiosas.

As informações ficam disponíveis tanto na cozinha quanto nas salas de aula, permitindo que os profissionais consultem as recomendações antes do preparo e da distribuição das refeições.

Cuidados na preparação garantem atenção às restrições alimentares

A preparação dos alimentos exige atenção especial das merendeiras, principalmente nos casos de intolerâncias e restrições a determinados ingredientes.

A merendeira Paula Mariana explica que a equipe segue orientações individualizadas para evitar que os estudantes recebam alimentos incompatíveis com suas necessidades.

“Tomamos muito cuidado na hora da preparação, além da higiene. Criamos uma tabela que fala sobre cada aluno com alimentação diferente. Tem alunos intolerantes a lactose, alunos que não podem comer nada com corante. Eles estão sob nossa responsabilidade, então é necessário estar sempre atenta”, afirma a merendeira.

O acompanhamento diário permite que a unidade organize as refeições de acordo com as recomendações estabelecidas para cada criança.

Famílias relatam avanços na alimentação das crianças

Os resultados da iniciativa também são percebidos pelos familiares dos estudantes. Vitória Silva, de 25 anos, conta que sua filha, Ana Sofia, de 6 anos, enfrentava dificuldades para se alimentar durante o período escolar.

Com o apoio da equipe pedagógica e as adaptações realizadas no cardápio, a menina passou a consumir refeições mais completas.

“Ela chegava a passar quase o dia todo sem comer nada, tinha muita dificuldade em comer na escola. Após conversas com a coordenadora e apoio da escola, ela começou a ter refeições completas. Às vezes, ela nos conta em casa ‘mamãe, comi macarrão com ovo, farofa’. Ouvir isso é gratificante”, conta Vitória.

Outro relato é o de Itala Miriele, de 30 anos, mãe de Luna Dias, também de 6 anos. Segundo ela, a participação da escola foi importante para ampliar as possibilidades alimentares da filha, que apresenta preferência por alimentos de textura homogênea.

“Luna só gosta de comer coisas batidas, como feijão e arroz juntos, sem ver os grãos. A escola foi muito importante na introdução alimentar dela. Até 2024, ela só comia um tipo de cereal infantil, então observar todas essas mudanças é muito bom”, comenta Itala.

Inclusão alimentar fortalece acolhimento nas escolas de Salvador

A experiência do Cmei Calabar integra as ações da rede municipal de Salvador voltadas à adaptação da alimentação escolar às necessidades dos estudantes.

Ao reunir acompanhamento nutricional, participação das famílias e atenção individualizada, a iniciativa busca promover inclusão alimentar nas escolas municipais, respeitando diferenças e proporcionando maior conforto às crianças durante as refeições.

A proposta também reforça a importância da parceria entre profissionais da educação, equipes de alimentação escolar e responsáveis para garantir um ambiente mais inclusivo e acolhedor.

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