Papa Leão XIV quebra precedente ao votar nas eleições americanas
Pontífice de 71 anos enviou voto por correspondência em Chicago; Vaticano não revelou os candidatos escolhidos pelo líder da Igreja Católica

O papa Leão XIV entrou para a história ao participar das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (30) pela assessoria de imprensa do Vaticano. Nascido em Chicago, o pontífice de 71 anos exerceu seu direito ao voto por correspondência, tornando-se o primeiro papa de origem norte-americana a participar do processo eleitoral do país durante seu pontificado.
A votação foi realizada utilizando seu nome de nascimento, Robert Francis Prevost, conforme informações disponíveis no site da Secretaria do Condado de Will, nos Estados Unidos.
Em comunicado, o Vaticano destacou que a participação eleitoral faz parte da trajetória cívica do líder religioso.
“Seguindo essa prática de longa data de participação cívica, ele enviou seu voto pelo correio por Chicago”, informou o Vaticano. “O Santo Padre expressa sua crença no direito e dever dos cidadãos de participar dos processos democráticos.”
Apesar da confirmação, a Santa Sé não divulgou quais candidatos receberam o voto do pontífice.
Eleições nos EUA acontecem em cenário de desgaste de Trump
A participação de Leão XIV ocorre em um momento de desafios políticos para o presidente norte-americano, Donald Trump. A queda nos índices de popularidade do republicano ameaça as perspectivas de seu partido manter o controle das duas Casas do Congresso.
Entre os principais fatores de insatisfação da população estão o aumento do custo de vida e os impactos da guerra contra o Irã.
O cenário eleitoral também é marcado por divergências públicas entre Trump e o papa, especialmente em questões relacionadas à política externa, imigração e conflitos internacionais.
Papa Leão XIV e Donald Trump protagonizaram divergências
Desde o início do pontificado de Leão XIV, a relação entre o líder da Igreja Católica e o presidente dos Estados Unidos tem sido marcada por declarações críticas.
Trump chegou a classificar o papa como “fraco” e “péssimo” em relação ao enfrentamento da criminalidade.
Em março, Leão XIV declarou que Deus rejeita as orações daqueles que promovem guerras e possuem “as mãos cheias de sangue”.
No mês seguinte, o pontífice considerou inaceitável a ameaça feita por Trump de destruir a civilização iraniana. Anteriormente, também havia recusado um convite para integrar a iniciativa denominada “Conselho da Paz”, proposta pelo presidente norte-americano para a Faixa de Gaza.
Outra questão levantada pelo líder católico envolve a política migratória dos Estados Unidos. Leão XIV defendeu uma “reflexão profunda” sobre o tratamento dispensado aos imigrantes no território norte-americano.
Pontífice passou por cirurgia e prepara viagem à América do Sul
Eleito em maio de 2025 por cardeais de diferentes países, Leão XIV tornou-se o primeiro papa nascido nos Estados Unidos a comandar a Igreja Católica, instituição que reúne aproximadamente 1,4 bilhão de fiéis em todo o mundo.
Recentemente, o pontífice também enfrentou questões de saúde. Em 13 de outubro, passou por uma cirurgia para a retirada do lobo inferior do pulmão direito, após receber diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, considerado o tipo mais comum de câncer de pulmão.
Segundo os médicos responsáveis pelo acompanhamento, não haverá necessidade de tratamento adicional.
A agenda internacional do papa prevê uma viagem à América do Sul na próxima semana.



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