MP-BA recomenda que empresa reembolse candidatos lesados por falso concurso
Empresas podem ser punidas em R$ 100 mil, caso Justiça acate decisão

O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) moveu uma ação civil pública contra as empresas Organização do Aluno Consciente (ODAC) e OMNI Concursos Públicos Ltda após identificar uma série de irregularidades na organização de processos seletivos.
Na ação, assinada no último dia 14 pela promotora de Justiça Joseane Suzart, o MPBA exige que a Justiça obrigue as empresas a adotarem medidas imediatas de transparência.
Mais do que isso: o órgão quer a devolução do dinheiro das inscrições, o pagamento de indenizações por danos materiais e morais aos candidatos lesados, além de uma condenação de R$ 100 mil por danos morais coletivos.
O golpe do edital: Candidatos induzidos ao erro
A investigação começou a ganhar corpo após uma enxurrada de denúncias sobre o chamado “Concurso Público nº 001/2025 – Censo Cidades Estudantil Brasil”. Segundo a promotora, o formato do certame foi desenhado estrategicamente para confundir quem estava procurando emprego.
“Os editais apresentavam características semelhantes às de concursos públicos tradicionais, com cobrança de taxas de inscrição e divulgação de vagas de emprego, o que poderia induzir candidatos ao erro quanto à natureza da seleção e à existência das oportunidades anunciadas”, alertou Joseane Suzart.
Adiamentos eternos e promessas quebradas
Para quem pagou a taxa, o que se seguiu foi um roteiro de frustrações. O Ministério Público identificou dezenas de reclamações de consumidores que enfrentaram:
- Adiamentos sucessivos e sem justificativa das provas;
- Falta de convocação de quem havia sido aprovado;
- Sumiço dos organizadores nos canais de atendimento;
- Ausência total de informações sobre o andamento das seleções.
Histórico de reincidência
O caso fica ainda mais grave porque a Organização do Aluno Consciente (ODAC) já é uma “velha conhecida” do Ministério Público.
Em 2018, a empresa havia assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), onde se comprometia a corrigir a divulgação de suas seleções para nunca mais gerar dúvidas na cabeça dos estudantes e trabalhadores.
De acordo com a promotora, a empresa ignorou o acordo passado e voltou a descumprir as regras, motivando a nova e rigorosa ação judicial.



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