Jaques Wagner nega irregularidades após operação da PF, justifica dólares apreendidos e mantém pré-candidatura
Parlamentar foi principal alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (18)

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), negou veementemente qualquer envolvimento em práticas ilícitas após ser alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). Em entrevista concedida à BandNews na tarde desta quinta-feira (18), o senador baiano rebateu as suspeitas de corrupção e tráfico de influência, assegurando que suas movimentações financeiras e patrimoniais são totalmente lícitas.
Wagner afirmou que mantém sua pré-candidatura à reeleição ao Senado no pleito de outubro de 2026 e garantiu que sua permanência na liderança do Palácio do Planalto no Congresso Nacional segue inalterada, contando com o respaldo político direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O parlamentar petista justificou a apreensão de um montante em moeda estrangeira realizada pelos agentes federais em um de seus endereços funcionais em Brasília. De acordo com Wagner, os dólares encontrados no cofre de sua residência são oriundos de diárias oficiais de viagens institucionais ao exterior pagas pelo Senado Federal desde o ano de 2019, cujo somatório acumulado atinge a marca de 70 mil dólares.
O senador explicou que costuma concentrar seus gastos de viagem em cartões de crédito e, por essa razão, as verbas de gabinete em espécie acabavam sendo guardadas fisicamente, estando devidamente declaradas e sem qualquer relação com repasses clandestinos ou propinas de entes privados.
No que tange às investigações sobre transações imobiliárias, Jaques Wagner rechaçou a tese de que teria solicitado um imóvel como contrapartida ao empresário Augusto Lima, sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. O senador explicou que o ativo em questão é um apartamento em fase de construção no bairro do Horto Florestal, em Salvador, e que a operação tratou-se de um alinhamento comercial privado com fins familiares.
Segundo a versão do líder governista, o investidor adquiriu a cota do imóvel com o compromisso de que o parlamentar a recomprasse futuramente para repassar à sua filha. Wagner enfatizou não possuir qualquer tipo de vinculação institucional, contratual ou de favorecimento com o Banco Master ou com o cartão de benefícios Credcesta, alvos de escrutínio no inquérito.
“Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos de Augusto Lima. Eu não tenho nenhuma coisa para esconder. Esse dinheiro [os dólares] está guardado no cofre porque nem sempre uso, às vezes gasto com cartão. Sobre o Horto, tinha o interesse de ajudar a minha filha a comprar um apartamento. Como o Augusto Lima é um investidor, disse a ele: ‘você pode comprar, depois eu recompro’”, esclareceu o senador Jaques Wagner, ao detalhar a procedência dos valores e dos negócios imobiliários sob suspeita.
“Estou muito seguro do que fiz, não tenho CNPJ, empresa e nada. A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula e eu acho muito difícil que ele faça qualquer alteração. Vou manter a pré-candidatura ao Senado em 2026”, concluiu o líder do bloco governista, ao revelar que recebeu uma ligação telefônica de solidariedade do presidente da República logo após as buscas da Polícia Federal.



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