Integrante da Bamor sugeriu apagar mensagens para evitar denúncias de tortura, aponta investigação

Um integrante da Bamor, torcida organizada do Esporte Clube Bahia, sugeriu apagar mensagens de um grupo de WhatsApp para evitar que as conversas fossem utilizadas como provas em uma investigação sobre sessões de tortura realizadas na sede da entidade, em Salvador. A informação consta em um relatório do Ministério Público da Bahia (MP-BA), obtido pelo g1 e pela TV Bahia.
O suspeito foi identificado como Ricardo Henrique Almeida da Silva, conhecido como “Kakaroto Drt”, diretor de marketing da torcida e um dos dez denunciados pelo Ministério Público. Em um áudio enviado ao grupo “Diretoria Bamor”, ele demonstrou preocupação com a possibilidade de uma das vítimas denunciar as agressões e recomendou a exclusão das mensagens e até do próprio grupo.
As conversas foram extraídas de um celular apreendido durante a Operação Inquisição, realizada em 28 de setembro, quando dez pessoas foram presas, incluindo o presidente da Bamor, Matheus Pires Castro, e o vice-presidente, Luciano da Silva Venâncio.
Mensagens relatam agressões e tentativas de ocultação
Segundo o relatório, outro integrante da torcida, identificado como Daniel Sena Duarte, diretor de sede, respondeu à preocupação sobre a existência de provas afirmando que as agressões haviam ocorrido porque a vítima era suspeita de roubar a entidade. A declaração integra o material analisado pelos investigadores.
Em outras mensagens, os integrantes teriam comentado detalhes das agressões e discutido o uso de objetos durante os episódios. O relatório também registra orientações atribuídas ao presidente da organizada para que os envolvidos atribuíssem as ações à diretoria como um todo, sem identificar individualmente quem teria praticado cada agressão.
As investigações apontam que duas pessoas foram submetidas a sessões de tortura física e psicológica na sede da torcida, no bairro de Nazaré, nos dias 17 e 18 de julho. As vítimas teriam sido convocadas para prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades financeiras relacionadas ao sistema de gestão dos associados.
De acordo com o Ministério Público, os episódios envolveram espancamentos, ameaças e outros métodos de violência. Uma das vítimas relatou ter sofrido agressões durante aproximadamente quatro horas.
Dez pessoas foram denunciadas
No dia 2 de outubro, o Ministério Público da Bahia denunciou dez investigados por crimes como organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. Entre os denunciados estão integrantes da diretoria da Bamor e um policial militar apontado como membro da torcida organizada.
Os suspeitos foram presos preventivamente durante a Operação Inquisição. Segundo o MP-BA, os investigados teriam participado das agressões em diferentes graus, conforme os elementos reunidos durante a apuração.
Em nota, a defesa de Matheus Pires Castro e Luciano da Silva Venâncio afirmou que os clientes são inocentes e que as medidas judiciais cabíveis estão sendo adotadas.
A Bamor também declarou que não apoia nem compactua com condutas ilícitas e defendeu que eventuais responsabilidades sejam apuradas individualmente, com respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.



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