Câmeras de reconhecimento facial ajudam a prender 962 devedores de pensão alimentícia na Bahia em 2026

O sistema de reconhecimento facial utilizado pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) contribuiu para a prisão de 962 homens com dívidas de pensão alimentícia entre janeiro e outubro de 2026. A tecnologia auxilia as forças de segurança na identificação de pessoas com mandados de prisão em aberto.
Desde a implantação do sistema, em 2019, até outubro deste ano, a Bahia contabilizou 6.493 prisões realizadas com o auxílio da ferramenta. Desse total, 2.117 ocorreram em 2026, e os casos relacionados à inadimplência de pensão alimentícia representam uma parcela significativa das capturas.
Atualmente, o estado dispõe de aproximadamente 1.200 câmeras de reconhecimento facial distribuídas em 81 municípios. O sistema compara as imagens captadas com os registros de pessoas que possuem mandados de prisão, permitindo que as equipes policiais sejam acionadas após a identificação e a confirmação da ocorrência.
Apesar dos avanços tecnológicos, o não pagamento da pensão alimentícia continua sendo um problema para muitas famílias, especialmente para mães que assumem sozinhas as despesas com os filhos. A Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA) oferece atendimento jurídico gratuito, incluindo orientação, mediação e ações judiciais para estabelecer ou cobrar valores atrasados.
Em 2025, a Defensoria registrou 12.097 ações relacionadas à pensão alimentícia na Bahia. Entre janeiro e abril de 2026, foram protocoladas outras 3.283 ações para estabelecer o pagamento. No mesmo ano, até o período contabilizado pela instituição, também foram registradas milhares de demandas relacionadas ao tema.
A falta de pagamento pode comprometer despesas essenciais, como alimentação, moradia, educação e saúde das crianças. A inadimplência também pode representar uma forma de violência patrimonial contra mulheres que ficam responsáveis pela maior parte dos custos familiares.
A prisão por dívida de pensão alimentícia tem natureza civil e caráter coercitivo, ou seja, busca pressionar o devedor a cumprir a obrigação determinada pela Justiça. Quando há mudança real na condição financeira, o caminho legal é solicitar judicialmente a revisão do valor, e não interromper ou reduzir os pagamentos por conta própria.
Mães e responsáveis que precisam de orientação podem procurar a Defensoria Pública da Bahia pelo telefone 129 ou acessar o site oficial do órgão: https://www.defensoria.ba.def.br/.



Comentários: