Gilmar critica Mendonça e fala em “PF paralela” durante sessão do STF
Decano da Corte classificou decisão de afastar diretor-geral da PF como "vexame" e acusou colega de ter viés político-eleitoral

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou nesta terça-feira (15) decisões do ministro André Mendonça durante a sessão que analisa a Petição 16.662, relacionada à investigação sobre mensagens entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Gilmar classificou como “vexame” e “falta de noção” a decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF).
A decisão foi referendada pela Segunda Turma do STF nesta terça, mas Gilmar pediu vista do processo.
Gilmar e Mendonça batem boca
Durante a sessão, Gilmar também acusou Mendonça de adotar decisões com viés político-eleitoral. O ministro afirmou que “até as pedras sabem que há um viés político eleitoral” nas decisões do colega.
Mendonça rebateu a declaração e pediu respeito, classificando a fala de Gilmar como “leviana”. O decano respondeu: “Quem não se dá respeito não merece respeito”.
Crítica ao afastamento de diretor da PF
Gilmar questionou a decisão de Mendonça de afastar Andrei Rodrigues do comando da PF e comparou a medida ao afastamento de autoridades responsáveis por instituições estratégicas.
“Qualquer cidadão que tem o mínimo de noção do que significa a PF, que é um órgão armado, submetido à hierarquia, não faria o afastamento do diretor-geral. É como afastar o diretor da Nasa, ou tirar o comandante do Exército”, disse.
O ministro Luiz Fux, que votou a favor da decisão de Mendonça, saiu em defesa da Segunda Turma e afirmou que a PF teria desafiado um ministro do STF.
Gilmar questiona atuação de Mendonça no caso Master
Gilmar também acusou Mendonça de adotar uma postura defensiva em relação ao ministro Kassio Nunes Marques durante as investigações do caso Banco Master.
“O relacionamento de Daniel Vorcaro alcançava número expressivo de autoridades e também de parentes de autoridades”, disse Gilmar. “O relatório de inteligência da PF apresentado no inquérito que o caso mais chama atenção é o do ministro Nunes Marques, em relação ao qual o relator apresenta postura abertamente defensiva”, destacou.
Nunes Marques deixou a sessão desta terça-feira após se declarar impedido. O ministro afirmou que, por ocupar a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ideal seria não participar de um julgamento que pode ter efeitos nos rumos da eleição. A decisão ocorreu após novos diálogos citarem pagamentos relacionados ao filho do ministro, o advogado Kevin Marques.
“PF paralela”
Durante a discussão sobre a atuação da Polícia Federal, Gilmar Mendes também afirmou existir uma espécie de “PF paralela” responsável pelo monitoramento de ministros do Supremo.
“Nós temos hoje uma PF paralela, com monitoramento de ministros”, afirmou.
A declaração ocorreu após Luiz Fux defender que a PF merece “o maior respeito” quando atua dentro de suas atribuições e auxilia os Poderes de Estado. Fux também afirmou que eventuais investigações devem seguir os canais institucionais e estar submetidas ao controle judicial.
Gilmar demonstrou ainda preocupação com a atuação de policiais em gabinetes de ministros do STF.
Petição 16.662
O Supremo Tribunal Federal (STF) julga, nesta terça-feira (15), a Petição 16.662, que trata de um relatório da Polícia Federal (PF) elaborado a partir de dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O documento reúne informações sobre mensagens e contatos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, além de questionamentos sobre um contrato relacionado ao Banco Master. Na sessão, os ministros analisam a validade das medidas adotadas durante a apuração e os possíveis desdobramentos do caso.



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