Especialista alerta: fogos podem causar sofrimento em pessoas com autismo
Estampidos comuns no São João e em grandes eventos esportivos podem desencadear crises e sobrecarga sensorial em grupos vulneráveis.

Tradicionais nas festas juninas e em grandes eventos esportivos, os fogos de artifício podem causar impactos significativos à saúde de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), idosos e indivíduos com transtornos mentais. O alerta é do psiquiatra Ivan Araújo, professor de Medicina da Universidade Salvador (Unifacs).
“Existe um componente neurobiológico importante. Em indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), transtornos de ansiedade, TDAH e outras condições do neurodesenvolvimento, podem existir alterações no processamento sensorial central que fazem com que determinados sons sejam percebidos de forma muito mais intensa e aversiva do que na população geral”, explicou.
Segundo o especialista, a imprevisibilidade dos estampidos mantém o organismo em estado de alerta, podendo provocar ansiedade, irritabilidade, alterações do sono e crises de sobrecarga sensorial. Em crianças com TEA, os efeitos podem incluir choro intenso e comportamentos de fuga.
Para reduzir os impactos, Ivan Araújo recomenda o uso de abafadores de ruído, permanência em ambientes fechados e adaptação das rotinas de sono de crianças e pessoas mais sensíveis.
A advogada e professora da Unifacs Fernanda Ferreira destacou que municípios baianos como Casa Nova, Catu e Ilhéus já aprovaram leis que restringem fogos com estampido. “O debate sobre os fogos de artifício deixou de ser apenas uma questão de tradição e passou a envolver direitos fundamentais. Hoje, diversas legislações municipais já reconhecem que pessoas com autismo, idosos, pacientes hospitalizados e animais merecem proteção contra ruídos excessivos, demonstrando que inclusão e respeito à coletividade também devem fazer parte das celebrações”, afirmou.



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