Escola em casarão histórico da capital capacita profissionais de graça
Aulas na Casa das Sete Mortes ensinam técnicas de conservação e pintura com pigmentos naturais para gerar renda e preservar o Centro Histórico

A Escola de Ofícios Tradicionais de Salvador, instalada na Casa das Sete Mortes, no Pelourinho, iniciou as atividades de sua primeira turma com o curso de pintura tradicional com pigmentos naturais. Promovida pela Prefeitura de Salvador, a iniciativa oferece qualificações gratuitas para formar mão de obra especializada no restauro e conservação de imóveis históricos.
Destinada a pessoas alfabetizadas maiores de 18 anos, a formação atual segue até 17 de dezembro com foco em moradores do Centro Histórico e de outras regiões da capital. O projeto prevê a oferta futura de turmas em áreas como alvenaria, argamassas, carpintaria e ferraria.
A presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, apontou o papel estratégico da qualificação. “A Escola tem o propósito de capacitar mão de obra para a construção civil, com conhecimento em técnicas tradicionais aplicadas ao restauro de imóveis de valor histórico e arquitetônico. Ao mesmo tempo, contribui para inserir no mercado profissionais qualificados nessas técnicas, atendendo a uma demanda existente no setor da construção civil”, disse.
A conservadora e professora Luana Santos destacou a necessidade de institucionalizar esses saberes: “São aprendizados que geralmente são ensinados de pai para filho ou em canteiros de obras, de forma mais informal e menos institucionalizada. Então, é importante que a gente tenha uma escola que ofereça a formação nesse ofício para garantir a sua existência”. A arquiteta Letícia Grappi complementou afirmando que o aprendizado ajuda “a própria sociedade a saber como lidar com esse tipo de construção”.
A coordenadora Beatriz Ulloa pontuou o objetivo de manter cursos simultâneos na unidade para suprir a demanda da região. Entre os alunos da primeira turma, os perfis variam de trabalhadores experientes na construção civil a técnicos da área. Josemar Amorim, de 56 anos, buscou o curso para expandir sua atuação: “Quando eu vi ‘restauração’, fiquei muito interessado, porque é uma área muito complicada e eu nunca tinha encontrado essa oportunidade”, relatou.
A técnica em restauração Rosy da Conceição, de 72 anos, destacou a busca por atualização no setor: “Todos os dias, a gente que trabalha com restauro está aprendendo técnicas novas. É muito importante que o profissional que queira se qualificar busque e entenda esse mercado de restauro e como ele funciona”, completou.
Novas turmas serão abertas gradualmente com o avanço do calendário da instituição.



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