“É inacreditável que um parlamentar brasileiro vá à terra dos outros pedir para retaliar o nosso país”, dispara Jaques Wagner
Líder do governo no Congresso responsabilizou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por articular nos bastidores internacionais medidas que prejudicam a economia nacional

O senador Jaques Wagner (PT-BA) repudiou, nesta quarta-feira (3), a nova proposta de sobretaxação comercial apresentada pelo governo dos Estados Unidos contra as exportações brasileiras. Em entrevista concedida à TV Senado, o líder do governo no Congresso Nacional responsabilizou diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por articular nos bastidores internacionais medidas que prejudicam a economia nacional.
Wagner relatou que o parlamentar da oposição, em sua última agenda oficial em território estadunidense, solicitou formalmente a imposição de sanções e barreiras alfandegárias ao Brasil, atitude classificada pelo petista como uma quebra dos deveres institucionais e um ataque frontal à soberania econômica do país no mercado exterior.
“É inacreditável que um parlamentar brasileiro vá à terra dos outros pedir para retaliar o nosso país. É hora de deixar de lado a luta político-partidária e defender o Brasil. O senador, como candidato, tem se mostrado pior do que o pai”, disparou Jaques Wagner, ao condenar as movimentações internacionais do colega de Casa e apontar falta de sentimento patriótico na conduta da oposição parlamentar.
A nova ofensiva tarifária de Washington contra o mercado brasileiro desenha um panorama complexo para a balança comercial e prevê uma alíquota aduaneira de 25% sobre as mercadorias nacionais, acrescida de uma sobretaxa adicional de 12,5% fundamentada em supostas violações de direitos trabalhistas e denúncias de trabalho forçado.
Jaques Wagner desconstruiu os argumentos técnicos apresentados pelos negociadores norte-americanos, apontando que a medida carece de racionalidade econômica elementar por incidir sobre um parceiro com o qual os Estados Unidos já registram superávit comercial.
“O Brasil tem déficit comercial na balança. Como alguém que compra mais do que vende sofre sobretaxação? Isso seria normal para quem tem lucro na relação comercial, mas nós temos prejuízo. Eu era ministro do Trabalho quando endurecemos muito as regras contra o trabalho escravo, assinamos todos os acordos internacionais. Temos punições severas, inclusive com perda de patrimônio para quem o utiliza. Não é razoável essa acusação”, detalhou o líder do governo, ao contestar os fundamentos técnicos e humanitários invocados pela administração estadunidense para justificar o tarifaço.
O senador baiano relembrou sua experiência à frente do Ministério do Trabalho para referendar o rigor da legislação brasileira, destacando que o país possui um dos arcabouços de fiscalização e punição ao trabalho análogo à escravidão mais severos do mundo, com previsão legal inclusive de expropriação de terras e cassação de patrimônio para os infratores.
Frente ao acirramento das tensões diplomáticas e comerciais, a estratégia da base governista mira o isolamento político da oposição e a blindagem dos setores produtivos afetados pela nova política protecionista. Wagner defendeu que o enfrentamento da crise tarifária exige uma postura de Estado que supere a polarização partidária, convocando o parlamento a cerrar fileiras em defesa das empresas e dos empregos nacionais.
O líder do governo informou que articulará junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a criação de uma comissão mista de senadores e deputados para capitanear uma missão oficial a Washington. O objetivo do grupo será municiar os canais diplomáticos com dados técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, demonstrando a conformidade legal da produção brasileira e neutralizar o lobby restritivo fomentado por parlamentares brasileiros na América do Norte.



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