Delator do PCC teria quebrado três regras da facção antes de ser assassinado

Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, ex-corretor de imóveis e delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), já era considerado um homem marcado para morrer antes de ser assassinado, em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
Segundo informações reunidas por investigações e apresentadas em reportagem do UOL/TAB, Gritzbach teria violado três regras consideradas fundamentais dentro da organização criminosa: teria desviado dinheiro de integrantes do PCC, seria apontado como mandante da morte de um importante fornecedor de armas da facção e, posteriormente, decidiu colaborar com as autoridades.
A desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo, afirmou que a combinação das três situações tornava praticamente inevitável uma reação da facção contra o delator.
Relação com integrantes do PCC
Gritzbach atuava como corretor de imóveis de alto padrão na zona leste de São Paulo e mantinha relações com integrantes do PCC. Entre eles estava Cláudio Marcos de Almeida, conhecido como Django, apontado como uma liderança da organização.
O corretor também teria administrado investimentos de Django em criptomoedas. A relação entre os dois, porém, teria se deteriorado após suspeitas envolvendo dinheiro pertencente a integrantes da facção.
Segundo as investigações, Django chegou a intervir para proteger Gritzbach durante um suposto sequestro. Depois disso, porém, o integrante do PCC teria sido assassinado, de acordo com a polícia, justamente por ter defendido o corretor.
Suspeita de envolvimento em homicídio
Outro episódio que teria colocado Gritzbach na mira do PCC envolve o assassinato de Anselmo Becheli Santa Fausta, conhecido como Cara Preta, apontado como fornecedor de armas para a facção.
Cara Preta e seu motorista, Antônio Corona Neto, o Sem Sangue, foram mortos a tiros em dezembro de 2021.
As investigações apontaram que Gritzbach teria ordenado o crime em meio a uma disputa envolvendo valores investidos em criptomoedas, que poderiam chegar a R$ 200 milhões.
A acusação, entretanto, é contestada pela defesa do ex-corretor. O advogado que representava Gritzbach afirmou que não existe prova de que ele tenha sido o responsável por ordenar os homicídios.
A delação contra o PCC
Depois de enfrentar uma tentativa de homicídio dentro do próprio apartamento, no Natal de 2023, Gritzbach formalizou uma delação premiada com o Ministério Público de São Paulo.
Durante os depoimentos, ele relatou esquemas de lavagem de dinheiro e apontou policiais que, segundo suas declarações, seriam envolvidos em corrupção.
O Ministério Público chegou a oferecer a inclusão do delator no Provita, programa destinado à proteção de vítimas e testemunhas ameaçadas. Gritzbach, porém, recusou a proposta.
Mesmo sob risco, ele continuou colaborando com as autoridades ao longo de 2024. A expectativa era também recuperar parte do patrimônio que havia sido apreendido pelo Estado.
Para a desembargadora Ivana David, Gritzbach teria cometido um erro ao acreditar que a colaboração com a Justiça seria suficiente para garantir sua proteção.
Meses depois, em novembro de 2024, ele foi assassinado a tiros no aeroporto de Guarulhos. O caso expôs a dimensão dos conflitos envolvendo o PCC, lavagem de dinheiro, corrupção policial e disputas por grandes quantias em criptomoedas.
As circunstâncias do assassinato e os envolvidos continuam sendo alvo de investigações.



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