Câncer de mama avança entre mulheres jovens e acende alerta sobre fertilidade

Especialista alerta que preservação da fertilidade deve ser discutida logo após o diagnóstico e explica que coleta de óvulos pode ser concluída em cerca de duas semanas

Bahia Brasil
Câncer de mama avança entre mulheres jovens e acende alerta sobre fertilidade
Foto: Divulgação

O câncer de mama permanece como o tipo de tumor mais incidente entre as mulheres brasileiras. Segundo a publicação “Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil”, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), vinculado ao Ministério da Saúde, são projetados 78.610 novos casos por ano no país, correspondentes a 30% dos diagnósticos de câncer na população feminina.

No Nordeste, onde a doença também aparece como o câncer de maior incidência entre as mulheres, o risco estimado é de 58,02 casos para cada 100 mil mulheres.

Apesar de a maioria dos diagnósticos continuar concentrada em pacientes com mais de 50 anos, especialistas chamam atenção para o aumento proporcional de casos entre mulheres com menos de 40 anos. Nessa faixa etária, parte das pacientes ainda não teve filhos ou pretende ampliar a família, o que acrescenta outra preocupação ao tratamento: os possíveis impactos sobre a fertilidade.

Tratamentos como quimioterapia e radioterapia podem atingir células de rápida multiplicação, incluindo os folículos ovarianos. Dependendo da idade da paciente, das doses utilizadas e do esquema terapêutico adotado, pode ocorrer redução da reserva ovariana, menopausa precoce ou até infertilidade.

“Quando uma mulher de 32, 35 anos recebe o diagnóstico, o mundo dela se organiza em torno de uma única palavra, que é cura. É absolutamente compreensível. Mas existe uma vida depois do tratamento, e o nosso papel é garantir que ela chegue lá com escolhas preservadas”, afirma a Dra. Genevieve Coelho, Diretora Médica do IVI Salvador.

Congelamento de óvulos pode preservar possibilidade de gravidez

Uma das técnicas utilizadas para preservação da fertilidade antes do tratamento oncológico é a criopreservação de óvulos, conhecida como congelamento de óvulos.

O procedimento inclui estimulação ovariana, coleta e vitrificação dos óvulos maduros. O material permanece armazenado e poderá ser utilizado posteriormente, após liberação da equipe responsável pelo tratamento oncológico e caso a paciente decida tentar uma gravidez.

De acordo com a especialista, a estimulação ovariana pode ser iniciada em diferentes fases do ciclo menstrual. Com isso, o processo pode ser concluído em aproximadamente duas semanas.

“Esse é o principal mito que a gente precisa derrubar neste Outubro Rosa. Preservar a fertilidade não atrasa o tratamento do câncer. Em duas semanas a paciente completa o ciclo de coleta e segue para a quimioterapia no prazo definido pela equipe de oncologia”, explica a médica.

A orientação é que a possibilidade de preservação da fertilidade seja discutida tão cedo quanto possível, levando em consideração a situação clínica e a indicação da equipe médica responsável por cada paciente.

“O encaminhamento precisa vir junto com o diagnóstico, não depois da primeira sessão. Cada semana conta, e é uma janela que não reabre”.

Outubro Rosa amplia debate sobre diagnóstico precoce

Instituído no Brasil pela Lei nº 13.733/2018, o Outubro Rosa tem origem nos Estados Unidos, na década de 1990. Um dos símbolos da mobilização surgiu quando a Fundação Susan G. Komen for the Cure distribuiu laços cor-de-rosa durante a primeira Corrida pela Cura.

No Brasil, um dos marcos da campanha ocorreu em 2002, quando o Obelisco do Parque Ibirapuera, em São Paulo, recebeu iluminação rosa.

Ao longo dos anos, a mobilização passou a reforçar principalmente a conscientização e a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. Para Genevieve Coelho, esse debate também pode incluir os efeitos do tratamento sobre a vida reprodutiva das pacientes.

“Diagnóstico precoce e preservação da fertilidade são a mesma conversa. Quanto mais cedo o tumor é identificado, mais cedo essa mulher chega até nós e melhor é o prognóstico reprodutivo dela. O Outubro Rosa não é só sobre sobreviver ao câncer, é sobre o que vem depois”.

Sobre o IVI – RMANJ

Fundado em 1990, o IVI surgiu na Espanha como uma instituição médica especializada em reprodução humana. Atualmente, o grupo informa contar com cerca de 190 clínicas distribuídas por 15 países, além de sete centros de pesquisa em diferentes regiões do mundo.

Comentários:

Ao enviar esse comentário você concorda com nossa Política de Privacidade.

Logo Sou da Bahia
Resumo das Políticas

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.