Bahia ultrapassa 100 feiras literárias no interior e impulsiona a formação de novos leitores: “Democratizar”
Manoel Calazans esteve presente no lançamento da Flica nesta quarta-feira, 2

Com o aporte financeiro do Governo do Estado da Bahia — por meio da Secretaria de Educação (SEC) e da Fundação Pedro Calmon (FPC) —, o circuito de eventos literários baiano vive uma expansão inédita.
O modelo, que antes se concentrava em grandes polos como Cachoeira (Flica), Salvador (FLIPELÔ) e Mucugê, agora alcança mais de 100 municípios do estado, transformando a rotina de pequenos municípios e aproximando estudantes da rede pública dos grandes nomes da literatura nacional.
Proximidade com autores e formação de leitores
O grande objetivo da descentralização é ir além da leitura obrigatória de sala de aula. O ambiente lúdico e cultural das feiras, com encontros musicais e bate-papos, tem despertado nos jovens o verdadeiro gosto pelos livros.
“A gente acredita que uma feira literária pode mudar, sim, a vida dos nossos estudantes. É a obrigação da escola de educação básica formar estudantes-leitores. E, para formar estudantes-leitores, a gente não pode ficar só na perspectiva da leitura obrigatória. Esse contato divertido, lúdico e cultural dá um novo prazer pela leitura”, Manoel Calazans, assessor especial da Secretaria da Educação (SEC).
A presença de grandes escritores em municípios menores tem gerado mobilização e filas entre os alunos:
“Municípios pequenininhos recebem o autor, recebem esse campo editorial e permitem que os nossos estudantes dialoguem com aqueles autores que só encontravam nos livros. Os meninos fazem fila, por exemplo, quando tem um Itamar Vieira Júnior na programação. A palavra é democratizar e garantir o acesso.”
Flica debaterá o uso da Inteligência Artificial nas escolas
Além da mobilização regional, que envolve estudantes de cidades vizinhas como Cachoeira, São Félix, Maragojipe e Moritiba, a próxima edição da Flica trará para o centro das discussões um tema hiperatual: o impacto da Inteligência Artificial (IA) na educação.
“A edição deste ano traz a temática da Inteligência Artificial, algo com que as escolas já estão convivendo. A gente pede que os professores insiram o tema nos currículos, porque não vamos lutar contra a IA, mas vamos separar o joio do trigo. Uma coisa é você revisar um texto; outra é copiar a fonte e a produção inteira. A escola precisa ter esse diálogo aberto com os estudantes”, afirma Manoel Calazans.



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