Assédio eleitoral: Brasil registra 4,3 mil denúncias em apenas 72 horas
Canal criado pelo Ministério do Trabalho registra milhares de relatos após as eleições; na Bahia, denúncias envolvem empresas e administrações municipais

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) contabilizou aproximadamente 4,3 mil denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho durante os três primeiros dias de funcionamento de um canal exclusivo para receber relatos da prática. A ferramenta foi disponibilizada em 28 de outubro, após o surgimento de novas ocorrências, mesmo depois do encerramento das eleições de 2026.
A região Sudeste concentra a maior parte das denúncias, representando 48,5% dos registros recebidos pelo ministério. São Paulo aparece na liderança, com 1.325 ocorrências, seguido por Minas Gerais, com 345, e Rio de Janeiro, com 254.
Os números chamam a atenção diante do cenário observado antes do segundo turno. Segundo informações do Ministério Público do Trabalho (MPT), a média de denúncias durante outubro era de aproximadamente 35 casos por dia.
Bahia registra 79 denúncias de assédio eleitoral em outubro
Na Bahia, o Ministério Público do Trabalho recebeu 79 denúncias de assédio eleitoral ao longo de outubro de 2026. O órgão também informou que mantém 61 procedimentos ativos relacionados à prática, enquanto novos relatos continuam sendo encaminhados para análise.
Entre os casos investigados estão suspeitas envolvendo redes de supermercados e administrações municipais. As denúncias apontam possíveis tentativas de interferência na liberdade de escolha política dos trabalhadores, incluindo restrições ao exercício do voto e situações de constrangimento por posicionamento eleitoral.
A atuação do MPT busca apurar as circunstâncias das ocorrências e identificar possíveis violações dos direitos dos empregados, especialmente no que diz respeito à liberdade de manifestação e participação política.
O que é assédio eleitoral no ambiente de trabalho?
O assédio eleitoral ocorre quando empregadores, superiores hierárquicos ou outras pessoas utilizam relações de trabalho para pressionar, ameaçar ou constranger funcionários a votar ou deixar de votar em determinados candidatos.
A prática também pode envolver ameaças de demissão, punições profissionais, perda de benefícios ou outras consequências relacionadas às preferências políticas dos trabalhadores.
A legislação brasileira protege a liberdade de escolha eleitoral e proíbe práticas de coação que comprometam o exercício desse direito.
Saiba como denunciar casos de assédio eleitoral
Trabalhadores que enfrentarem ou testemunharem situações de assédio eleitoral podem procurar os canais oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou do Ministério Público do Trabalho (MPT).
As denúncias são encaminhadas aos órgãos responsáveis pela apuração, com mecanismos de proteção à identidade dos denunciantes. Os canais também permitem relatos sem identificação, conforme as regras de cada serviço.
O objetivo é garantir que trabalhadores possam exercer seus direitos políticos livremente, sem sofrer ameaças, intimidações ou represálias no ambiente profissional.



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