Árbitro escolhido para a Copa do Mundo é barrado nos EUA e fica fora do torneio
Somali Omar Abdulkadir Artan teve entrada negada nos Estados Unidos

Uma situação inesperada marcou os preparativos para a Copa do Mundo de 2026. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que havia sido selecionado pela Fifa para integrar a equipe de arbitragem do torneio, foi impedido de entrar nos Estados Unidos e acabou excluído da competição.
A confirmação foi feita pela própria Fifa nesta segunda-feira (8). Em comunicado enviado à AFP, a entidade informou que o profissional não poderá participar dos treinamentos preparatórios nem atuar nos jogos do Mundial.
“A Fifa pode confirmar que o árbitro Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar nem arbitrar na Copa do Mundo da Fifa 2026 depois que lhe foi negada a entrada nos Estados Unidos”, declarou à AFP um porta-voz da entidade.
Fifa diz que não interfere em decisões migratórias
Segundo a Fifa, não cabe à entidade interferir nos processos de imigração dos países-sede. Ainda de acordo com o organismo, as autoridades americanas indicaram que a situação do árbitro não deve ser revertida neste momento.
“A Fifa não intervém nos processos de imigração do país anfitrião, incluindo a concessão de vistos, e as autoridades a informaram de que a situação de Artan não mudará por enquanto”, afirmou o porta-voz.
Entrada foi negada após inspeção em aeroporto
Em esclarecimento à AFP, a Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) informou que Artan desembarcou no Aeroporto Internacional de Miami em 6 de junho, após viajar a partir de Istambul, na Turquia.
Durante os procedimentos de entrada, o árbitro foi encaminhado para uma inspeção complementar.
“Em 6 de junho, um cidadão somali chegou ao Aeroporto Internacional de Miami procedente do Aeroporto Internacional de Istambul… Durante os procedimentos, o viajante foi submetido a uma inspeção adicional, uma etapa de rotina”.
Após a análise, as autoridades americanas decidiram barrar a entrada do profissional.
“Ao término da inspeção, o viajante, um árbitro da Copa do Mundo, foi considerado inadmissível devido a questões relacionadas à verificação de seus antecedentes e teve sua entrada no território negada”, acrescentou a agência ligada ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.
Árbitro lamenta situação e agradece apoio
A decisão ocorre em meio às restrições de viagem impostas pelo governo de Donald Trump a cidadãos de alguns países, entre eles a Somália.
Apesar de ficar fora da principal competição do futebol mundial, Artan afirmou que pretende seguir focado na carreira.
“Apesar das circunstâncias, estou de bom humor e concentrado nos próximos desafios da minha carreira como árbitro”, disse em comunicado enviado à AFP.
O somali também agradeceu o suporte recebido da Fifa e da Confederação Africana de Futebol.
“Gostaria de agradecer à Fifa e à CAF por todo o seu apoio e prometo manter o meu nível de arbitragem enquanto me concentro no futuro”, acrescentou.
Em outra mensagem, o árbitro também agradeceu “à família do futebol pelas mensagens” e desejou aos colegas “o maior sucesso durante a Copa do Mundo”.
Repercussão na Somália
O caso provocou reações na Somália. Antes mesmo da confirmação oficial da Fifa, o assessor sênior do Ministério da Juventude e dos Esportes do país, Ciise Aden Abshir, afirmou que Artan possuía visto válido para entrar nos Estados Unidos.
“Omar Abdulkadir Artan figura entre os árbitros mais respeitados da África e (…) negar-lhe a entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de arbitrar (…) prejudica não apenas sua pessoa, mas também enfraquece o compromisso do futebol com a equidade, o mérito e o espírito de fair play”, lamentou.
Feito histórico foi interrompido
Aos 34 anos, Omar Abdulkadir Artan estava prestes a se tornar o primeiro árbitro somali a atuar em uma Copa do Mundo.
Integrante da lista de 52 árbitros selecionados para o torneio de 2026, ele possui o escudo Fifa desde 2018, atua na liga nacional da Somália e foi eleito o melhor árbitro do ano pela Confederação Africana de Futebol em 2025.
A Copa do Mundo de 2026 será a primeira edição disputada simultaneamente em três países — Estados Unidos, México e Canadá — além de marcar a estreia do formato com 48 seleções participantes.



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