Anvisa muda regras e amplia possibilidades de prescrição de CBD por dentistas
Mudança nas regras de prescrição amplia possibilidades na odontologia, mas especialistas alertam que o uso do canabidiol exige avaliação individual e respaldo científico

O uso de canabidiol (CBD) na odontologia vem ganhando espaço nas discussões sobre novas alternativas para o tratamento de dores crônicas e problemas que afetam a região da mandíbula e do rosto. Com mudanças nas regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cirurgiões-dentistas legalmente habilitados passaram a contar com novas possibilidades de prescrição de produtos à base de Cannabis.
Desde 4 de maio de 2026, a regulamentação permite a prescrição de produtos regularizados com concentração de tetrahidrocanabinol (THC) de até 0,2%, por meio de Receita de Controle Especial, conhecida como receita branca.
A medida, no entanto, não representa uma autorização para o uso indiscriminado da substância. A prescrição deve considerar as evidências científicas disponíveis, as condições clínicas do paciente e os resultados obtidos com tratamentos convencionais.
Canabidiol pode ajudar no tratamento de dores na mandíbula?
Entre as principais áreas de interesse dos profissionais está o tratamento da disfunção temporomandibular (DTM), condição que compromete a articulação responsável pelos movimentos da mandíbula e pode provocar dores no rosto, dificuldades para mastigar e desconforto muscular.
Além da DTM, outras condições têm despertado a atenção dos cirurgiões-dentistas, como dores orofaciais persistentes, bruxismo e apertamento dentário.
Apesar do interesse, a eficácia do canabidiol para cada uma dessas condições ainda precisa ser avaliada individualmente. As pesquisas sobre dor crônica não significam, necessariamente, que o CBD apresente os mesmos resultados para todos os problemas odontológicos.
Segundo Edilson Bianqui, diretor de Marketing da farmacêutica Prati-Donaduzzi, a utilização da substância na saúde bucal representa uma possibilidade terapêutica que ainda depende do avanço das pesquisas.
“O canabidiol tem evidência científica para o seu uso na dor crônica, o que vai ao encontro de uma grande necessidade e possibilidade de indicação na odontologia. Para outras indicações, ainda não há evidência científica robusta na literatura nacional e internacional”, afirma.
Dentistas podem prescrever CBD para qualquer paciente?
Embora as novas regras ampliem as possibilidades de prescrição, o canabidiol não é indicado automaticamente para pacientes com dores na mandíbula, bruxismo ou outras condições odontológicas.
A decisão deve ser tomada pelo profissional responsável após uma avaliação detalhada, considerando o histórico de saúde, os medicamentos utilizados, as possíveis contraindicações e a resposta a tratamentos anteriores.
Uso do canabidiol na odontologia ainda enfrenta desafios
A ampliação das possibilidades de prescrição também trouxe novas discussões sobre a capacitação dos cirurgiões-dentistas e a necessidade de informações científicas confiáveis.
Embora exista interesse crescente pelo tema, o mercado de produtos à base de canabidiol voltado à odontologia ainda está em desenvolvimento.
Entre os principais desafios estão a definição de critérios clínicos para prescrição, a identificação das condições que podem responder ao tratamento e a avaliação da segurança da substância em diferentes situações.
O que muda para os pacientes com as novas regras?
Na prática, a possibilidade de prescrição de produtos à base de Cannabis por cirurgiões-dentistas habilitados amplia as alternativas que podem ser consideradas no acompanhamento de determinadas condições clínicas.
Entretanto, a mudança regulatória não significa que o canabidiol seja um tratamento comprovadamente eficaz para todos os tipos de dor na região da boca e do rosto.
Especialistas destacam a importância de estudos específicos sobre as aplicações odontológicas do CBD, especialmente em casos de DTM, bruxismo e dores orofaciais.
Enquanto as pesquisas avançam, a orientação é que a utilização desses produtos seja baseada em critérios técnicos, avaliação individualizada e acompanhamento de profissionais habilitados.



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