Analfabetismo atinge 12,2% dos jovens com deficiência, revela IBGE

Dados divulgados pelo IBGE também revelam diferenças na frequência escolar, acessibilidade nas escolas e avanço das matrículas no ensino superior

Brasil
Analfabetismo atinge 12,2% dos jovens com deficiência, revela IBGE
Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

A taxa de analfabetismo entre jovens com deficiência permanece significativamente acima da registrada entre pessoas sem deficiência no Brasil. Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 12,2% das pessoas com deficiência entre 15 e 29 anos eram analfabetas.

Na mesma faixa etária, a taxa entre pessoas sem deficiência era de 1%. Isso significa que o índice registrado entre jovens com deficiência era mais de 12 vezes superior.

“Sabe-se que, historicamente, elas têm uma taxa de analfabetismo mais elevada do que as pessoas sem deficiência. Parte dessa diferença decorre da maior concentração de pessoas com deficiência entre os idosos, gerações menos escolarizadas do que as gerações atuais. Contudo, esse enfoque nos jovens consegue acrescentar que a desigualdade entre as pessoas com deficiência e sem deficiência não se resume só à questão geracional”, destaca a pesquisadora do IBGE Luanda Botelho.

Diferenças conforme o tipo de deficiência

Os maiores índices de analfabetismo foram encontrados entre pessoas com dificuldades relacionadas às funções mentais, com taxa de 40,4%, e entre aquelas que possuíam mais de um tipo de deficiência, com 34%.

Entre pessoas com dificuldade para pegar objetos pequenos, o percentual chegou a 31,3%. Já entre aquelas com dificuldade para caminhar ou subir escadas, a taxa ficou em 23,3%. Para pessoas com dificuldade de ouvir, o índice foi de 10%.

Mesmo entre quem apresentava dificuldade para enxergar, grupo com o menor percentual de analfabetismo entre os tipos de deficiência analisados, a taxa chegou a 3,5%. O resultado ainda corresponde a mais de três vezes o percentual registrado entre pessoas sem deficiência.

Frequência escolar também apresenta diferença

Os dados apontam desigualdade também no acesso à educação básica. Entre crianças com deficiência de 6 a 14 anos, a frequência escolar era de 92,6%. Para adolescentes de 15 a 17 anos, o percentual caiu para 79,5%.

Entre pessoas sem deficiência, os índices eram superiores: 98,4% na faixa dos 6 aos 14 anos e 85,4% entre jovens de 15 a 17 anos.

A situação era ainda mais acentuada entre pessoas com deficiência profunda, classificadas como aquelas que não conseguem de forma alguma realizar determinadas funções avaliadas. Nesse grupo, a frequência escolar era de 82,3% entre crianças de 6 a 14 anos e de 65,6% entre adolescentes de 15 a 17 anos.

Acessibilidade ainda não está presente em todas as escolas

Informações do Censo Escolar 2025 mostram que 57% das escolas brasileiras possuíam banheiro acessível. As salas de recursos multifuncionais estavam disponíveis em 30% das unidades, enquanto 26,2% contavam com profissional de apoio.

Considerando pelo menos um desses recursos, o percentual de escolas atendidas chegava a 78,5%.

A estrutura varia entre as redes pública e privada. Os banheiros acessíveis estavam presentes em 64,4% das escolas particulares, diante de 54,8% das unidades públicas.

Em contrapartida, a presença de profissionais de apoio era maior na rede pública: 32,8% das escolas contavam com esse serviço, contra 4,6% na rede privada.

A mesma tendência foi identificada nas salas de recursos multifuncionais, espaços destinados ao atendimento educacional especializado. Elas estavam presentes em 34,5% das escolas públicas e em 15,2% das particulares.

Número de estudantes com deficiência cresce no ensino superior

No ensino superior, os dados mostram aumento expressivo da participação de pessoas com deficiência. Entre 2014 e 2024, o número de matrículas passou de 33.377 para 95.572, quase triplicando em uma década.

A participação desses estudantes no total de matrículas da graduação brasileira também avançou, saindo de 0,43% para 0,93%.

O crescimento ocorreu principalmente na educação a distância. As matrículas de pessoas com deficiência em cursos presenciais passaram de 26.637 para 50.609 no período.

Já na modalidade a distância, o salto foi de 6.740 para 44.963 estudantes, número mais de seis vezes superior ao registrado em 2014.

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