“A tese da pacificação é a tese do silenciamento”, diz Cézar Leite ao cobrar oposição mais contundente do PL
Vereador critica aproximação de parlamentares com o governo Jerônimo Rodrigues, defende candidatura de direita à Prefeitura de Salvador e questiona decisões judiciais, a condução da Câmara e o resultado das eleições presidenciais

O vereador de Salvador Cézar Leite (PL) defendeu uma atuação mais contundente do Partido Liberal na oposição aos governos estadual e federal. Em entrevista ao programa Boa Tarde Bahia, da Band, nesta terça-feira (3), o parlamentar cobrou maior alinhamento entre as lideranças da direita, criticou possíveis aproximações de integrantes da legenda com o governo da Bahia e afirmou que a estratégia partidária precisa ser discutida internamente.
Ao criticar o discurso de pacificação política, Cézar Leite afirmou que a oposição não deve abrir mão de suas posições. “Essa tese da pacificação, que me perdoe, é a tese do silenciamento. Acabe a mão para vocês e deixe a gente trabalhar. A gente tem que fazer uma oposição forte, contundente, com princípios”, declarou.
O vereador também cobrou da direção estadual do PL uma postura de fiscalização sobre a atuação dos deputados eleitos pela legenda. Segundo ele, o crescimento das bancadas na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) e na Câmara dos Deputados amplia a responsabilidade do partido na fiscalização dos governos.
“Eu acredito que há uma qualificação boa dos deputados federais e estaduais, que têm condição de fazer essa oposição de forma responsável, mas contundente, e não ser adesista”, afirmou.
Cézar demonstrou preocupação com a possibilidade de parlamentares do PL se aproximarem da gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Para ele, a direção partidária deve cobrar coerência dos integrantes da legenda e questionar eventuais adesões ao governo.
“Se dentro do PL acontecer de ter deputado adesista, vamos sim fazer denúncia, vamos cobrar”, disse.
O parlamentar também criticou políticos que, segundo sua avaliação, fazem oposição publicamente, mas mantêm relações com o governo e recebem benefícios políticos. “Quem faz atenção ao governo e tem suas benesses e utiliza outro partido para ser eleito está errado. Deveria ir para outro partido”, declarou.
Vereador cita compra de equipamentos ferroviários
Durante a entrevista, Cézar Leite apontou a aquisição de equipamentos ferroviários pelo Governo da Bahia como um dos temas que deveriam ser acompanhados pela oposição. Segundo ele, a operação teria envolvido valores superiores aos de uma referência anterior, mas não apresentou, no trecho da entrevista, dados suficientes para esclarecer os valores e estabelecer a comparação.
O vereador afirmou que pretende apresentar uma representação para solicitar a investigação da compra. Ele questionou os recursos empregados e defendeu que a oposição fiscalize a aplicação do dinheiro público.
“Pauta não falta”, afirmou, ao defender uma atuação mais firme dos deputados estaduais.
Cézar também relatou enfrentar consequências pessoais por sua atuação política. “Eu estou cansado de botar minha cara na frente, tomar porrada, ser ameaçado, tomar processos e depois fica todo mundo muito bem”, declarou.
Cézar defende candidatura de direita à Prefeitura de Salvador
Ao abordar o cenário político municipal, o vereador defendeu que a direita tenha uma candidatura própria à Prefeitura de Salvador na próxima disputa, mas ressaltou a necessidade de articulação entre as principais lideranças desse campo político.
Cézar citou o prefeito Bruno Reis (União Brasil), o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) e o presidente do PL na Bahia, João Roma, como nomes que precisam dialogar para construir uma estratégia conjunta e evitar que o PT conquiste o comando da capital baiana.
“Eu sou favorável sempre a ter uma candidatura de direita, uma candidatura, como a gente fala, raiz, que tem os princípios que a gente defende. Porém, a gente tem que ter a tranquilidade de articular algo que não possa, por isso, uma prefeitura se entregue ao PT”, afirmou.
Na avaliação do vereador, os resultados das últimas eleições reforçam a necessidade de alinhamento entre os partidos de direita e centro-direita. Ele também mencionou a manifestação em apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizada no Farol da Barra, em Salvador, e destacou a participação popular no ato.
Cézar ainda questionou a ideia de que o alinhamento entre os governos municipal, estadual e federal necessariamente traria vantagens para a capital baiana. Ao criticar a gestão petista na Bahia, mencionou indicadores sociais, mas não detalhou os números nem apresentou fontes durante a entrevista.
Vereador critica interferência do Judiciário na Câmara
Cézar Leite também criticou a atuação do Judiciário em decisões internas da Câmara Municipal de Salvador. Ao comentar o episódio envolvendo a concessão do título de cidadão soteropolitano ao senador Flávio Bolsonaro, o parlamentar questionou a interferência externa em uma decisão tomada no âmbito do Legislativo.
Para o vereador, os procedimentos internos da Casa devem respeitar o regimento e as regras de votação da própria Câmara, em respeito à autonomia do Poder Legislativo.
Na mesma entrevista, ele defendeu a renovação na presidência da Câmara. Embora tenha elogiado a atual gestão, afirmou que considera importante promover uma oxigenação administrativa. Cézar mencionou o vereador Alexandre Neto como alguém com quem compartilha princípios e visões políticas conservadoras, além da possibilidade de atuação conjunta em pautas da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Cézar defende questionamentos sobre resultado das eleições presidenciais
O vereador também defendeu que a oposição apresente medidas para questionar o resultado das eleições presidenciais de 2026, incluindo a possibilidade de pedir a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Cézar citou os gastos da campanha petista como um dos pontos que, na avaliação dele, deveriam ser investigados. Durante a entrevista, porém, não apresentou documentos ou decisões judiciais que comprovem irregularidades capazes de fundamentar um pedido de cassação.
“A gente precisa defender a cassação da chapa do Lula. […] Isso é passível, sim, de cassação da chapa. Precisa a oposição bater nessa tecla”, declarou.
O parlamentar também defendeu o chamado voto auditável e questionou informações sobre urnas que teriam registrado votação exclusiva em Lula. Ao abordar o assunto, mencionou os números de 106 e 161 equipamentos, sem esclarecer a divergência entre as quantidades ou apresentar a origem dos dados.
Cézar questionou a possibilidade de verificar individualmente os votos registrados nessas urnas e defendeu a ampliação dos mecanismos de fiscalização e transparência eleitoral. Durante o trecho da entrevista, entretanto, não apresentou evidências de fraude ou irregularidades no processo de votação.
Ao comentar as reações políticas após o resultado das eleições, o vereador voltou a criticar o discurso de pacificação e mencionou atos de vandalismo contra a Prefeitura de Salvador. Ele também defendeu que Flávio Bolsonaro tenha protagonismo na articulação nacional da direita.



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