80 anos de Nuremberg: sobrevivente do Holocausto participa de evento do TJBA
Encontro em Salvador debate legado dos julgamentos nazistas, direitos humanos e o papel da Justiça na preservação da memória histórica

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) realizou, nesta quinta-feira (1º), em Salvador, o evento “80 Anos do Tribunal de Nuremberg”, em referência aos julgamentos realizados na Alemanha entre 1945 e 1946 contra integrantes da liderança do regime nazista. A programação discutiu o legado do tribunal para o Direito Penal Internacional e a defesa dos direitos humanos.
O encontro contou com a participação de George Legmann, sobrevivente do Holocausto e um dos bebês nascidos em um campo de concentração, além do advogado e pós-doutor em Direitos Humanos Flávio Leão Bastos.
Representando o presidente do TJBA, desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, o 2º vice-presidente da Corte, desembargador Mário Albiani Júnior, destacou a importância da preservação da memória.
“A história de Nuremberg reforça a ideia de que até os piores crimes da história devem ser julgados segundo as regras. Nenhum ser humano está fora da proteção do Direito”, declara.
O presidente da Comissão Permanente de Gestão de Memória do TJBA, desembargador Cássio Miranda, também ressaltou a importância de manter acontecimentos históricos presentes no debate público.
“O nazismo não morreu; morreram apenas alguns nazistas”, aponta.
Exposição sobre bebês de Dachau
O TJBA também recebe a exposição “Eles nos deram esperança de novo – gravidez e nascimento no subcampo Kaufering 1, Dachau”, produzida pelo governo alemão. A mostra conta a história de sete bebês que nasceram e sobreviveram no complexo de Dachau no final da Segunda Guerra Mundial. A exposição já passou pelo Senado Federal e por São Paulo antes de chegar à Bahia.
Para George Legmann, a exposição tem relação direta com a defesa dos direitos humanos.
“É uma exposição que serve para conscientizar e para que nunca aconteça com nenhum povo”, afirmou.
A mostra fica disponível até esta sexta-feira (2) no salão de entrada da sede do TJBA. Depois, entre 5 e 29 de outubro, estará no Fórum Ruy Barbosa, com visitação gratuita.
História de George Legmann
Nascido em 8 de dezembro de 1944, George Legmann sobreviveu ao Holocausto e chegou ao Brasil com a família em 1961. Atualmente, dedica parte de sua atuação à defesa dos direitos humanos e ao combate ao antissemitismo.
Ao falar sobre a trajetória da família, Legmann resumiu a experiência com uma frase:
“Somos uma exceção, fomos com duas gerações e voltamos com três.”
Sobre a chegada ao Brasil, ele também relembrou a reação da mãe ao avistar o país:
“Minha mãe viu o Cristo Redentor e pensou: que belo país, mal nos conhece e já nos recebe de braços abertos”, contou, emocionado.



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