Vida Nova Empregabilidade: jovem supera extrema pobreza e hoje inspira outras pessoas em Unidade de Acolhimento
Aos 25 anos, Daniel David integra o Vida Nova Empregabilidade e trabalha como educador social em uma unidade de acolhimento da capital baiana

Depois de passar cerca de seis anos em situação de rua, Daniel David Rosa dos Santos, de 25 anos, conseguiu reconstruir a própria trajetória e hoje usa sua experiência para apoiar pessoas que enfrentam uma realidade semelhante em Salvador. Beneficiário do Programa Vida Nova Empregabilidade, ele atualmente trabalha como educador social em uma Unidade de Acolhimento Institucional (UAI).
Natural de Salvador e morador de Periperi, Daniel viveu por aproximadamente seis anos nas ruas da região do Comércio. A mudança começou após ele ser atendido pelo Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas) da Prefeitura e encaminhado para a UAI de Cajazeiras.
Após passar pelo acolhimento, Daniel foi selecionado para participar do Vida Nova Empregabilidade, iniciativa desenvolvida pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre).
“Eu fui para o abrigo [Unidade de Acolhimento Institucional] e, depois de dois meses, me informaram que eu tinha sido aprovado para a primeira etapa do Vida Nova. Ingressei em novembro do ano passado e atualmente trabalho como educador social na UAI de Pirajá”, conta.
Programa reúne emprego, moradia e acompanhamento
O Vida Nova Empregabilidade tem como objetivo promover a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade social e de rua. A iniciativa combina acesso ao mercado de trabalho, apoio para autonomia habitacional e acompanhamento psicossocial.
Inicialmente, os participantes são encaminhados para vagas de trabalho dentro da própria estrutura da secretaria. Além da inserção formal no mercado, o programa oferece auxílio-aluguel e um benefício complementar destinado à aquisição de móveis.
Atualmente, 40 pessoas estão ativas na iniciativa.
No trabalho como educador social, Daniel passou a compartilhar a própria experiência com pessoas acolhidas pelas unidades. Segundo ele, a intenção é mostrar que existem possibilidades para quem deseja deixar as ruas e construir uma nova trajetória.
“Eu sempre conto a minha história para quem chega, para que eles vejam que também podem sair das ruas. A maioria chega às unidades como eu chegava antes, sem esperança, pensando em pegar o aluguel e ir para a rua novamente. Hoje, eu conto a minha história, digo que tem jeito e tento motivar outras pessoas”, afirma.
Conquistas depois de anos nas ruas
Ter uma casa e renda própria está entre as principais mudanças destacadas pelo jovem. Daniel afirma que passou a valorizar situações cotidianas que antes não faziam parte de sua realidade.
“É bom demais ter a minha casa e as minhas coisas. Eu posso chegar e sair a hora que eu quiser, tenho a minha cama confortável, tenho a minha televisão para assistir a um filme ou a uma novela, tenho uma geladeira para beber a minha água gelada e conservar o meu alimento, tenho o meu fogão para fazer a minha comida e, principalmente, tenho o meu salário, que eu sei que vai cair na minha conta certinho”.
Capacitação para ampliar autonomia
Além da atividade profissional, Daniel participa de capacitações oferecidas pelo programa por meio de uma parceria entre a Sempre e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (Semdec).
As atividades abordam temas como elaboração de currículo e organização financeira. Para Daniel, os conhecimentos adquiridos também tiveram impacto na administração da vida pessoal.
“Nós aprendemos a fazer currículo, o que escrever, como controlar as nossas finanças, porque antes eu não sabia, pegava o dinheiro e saía gastando. Hoje eu sei como calcular, o que eu posso gastar. É bom porque aprendemos a cuidar da vida”, destaca.
Agora, o jovem planeja concluir os estudos, ingressar em uma graduação em Educação Física e comprar sua primeira motocicleta.
“A mensagem que eu deixo para outras pessoas que vivem nas ruas hoje é que nada está perdido. Tudo está nas mãos de Deus e sempre tem que ter esperança e querer, porque sem força de vontade a gente não consegue conquistar nada”, conclui.



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