Vacinas em atraso aumentam risco de doenças no Brasil

Mesmo com doses gratuitas pelo SUS, baixa adesão entre adultos e idosos preocupa especialistas e pode favorecer o retorno de doenças graves

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Vacinas em atraso aumentam risco de doenças no Brasil
Foto: Paulo Pinto/ Agência Brasil

A vacinação é reconhecida mundialmente como uma das estratégias mais eficazes para proteger a saúde individual e coletiva. Além de prevenir doenças graves, ela reduz internações hospitalares, evita mortes e limita a circulação de vírus e bactérias, protegendo inclusive pessoas que não podem ser imunizadas por condições médicas específicas.

No Brasil, a política de imunização é coordenada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), que oferece gratuitamente dezenas de vacinas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda assim, a adesão à vacinação não ocorre de forma uniforme ao longo da vida, especialmente entre adultos e idosos.

Dados do Ministério da Saúde, divulgados em setembro de 2025, indicam que a cobertura da primeira dose da vacina tríplice viral chegou a 91,8%, ficando próxima da meta de 95%. Já a vacina contra a poliomielite alcançou cerca de 86%, após anos de queda nos índices. Entre adultos, no entanto, o cenário é mais preocupante.

Vacinas que adultos costumam esquecer

Especialistas alertam que muitas vacinas essenciais dependem da iniciativa do próprio adulto, o que contribui para a baixa adesão. Entre as principais doses negligenciadas estão:

  • Dupla adulto (difteria e tétano): deve ser reforçada a cada 10 anos; sem atualização, a proteção diminui consideravelmente.
  • Hepatite B: indicada para todos os adultos, especialmente para quem não foi vacinado na infância.
  • Febre amarela: atualmente aplicada em dose única ao longo da vida; na ausência de comprovante, a revacinação é recomendada.
  • Tríplice viral: continua indicada para adultos sem registro, sobretudo diante da circulação do sarampo em diferentes países.
  • Herpes-zóster: recomendada a partir dos 50 anos, previne uma infecção dolorosa e complicações prolongadas.

Segundo o infectologista André Bon, do Hospital Brasília, da Rede Américas, a falta de registro vacinal exige cautela. “Na ausência de comprovação, o mais seguro é considerar que a pessoa não está vacinada e atualizar as doses disponíveis”, explicou ao Metrópoles.

Por que adultos negligenciam a vacinação

Diferentemente da infância, quando o acompanhamento médico é mais frequente, muitos adultos só procuram o sistema de saúde em situações de doença. A ausência de consultas preventivas, o esquecimento dos reforços e a perda do cartão de vacinação contribuem para o abandono do cuidado.

Além disso, a falta de tempo e o funcionamento das salas de vacinação em horário comercial dificultam o acesso de trabalhadores. A disseminação de informações falsas sobre vacinas também influencia negativamente a adesão de parte da população adulta.

Idosos exigem atenção redobrada

Com o envelhecimento, o sistema imunológico perde parte da sua eficiência, aumentando o risco de infecções graves. Por isso, a vacinação se torna ainda mais essencial a partir dos 50 ou 60 anos, com destaque para as vacinas contra pneumonia e herpes-zóster.

“A idade avançada não é motivo para deixar de se vacinar. Pelo contrário, é quando a imunização se torna ainda mais necessária para evitar complicações”, afirma a infectologista Valéria Paes, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.

Vacinar é proteção individual e coletiva

Manter a vacinação em dia protege não apenas quem recebe a dose, mas toda a comunidade. Esse efeito coletivo é fundamental para evitar surtos de doenças preveníveis, como sarampo, hepatites e febre amarela.

Com vacinas disponíveis gratuitamente pelo SUS, revisar o cartão vacinal na vida adulta é uma atitude de cuidado pessoal e também de responsabilidade com a saúde pública.

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