Surto de sarampo em países das Américas acende sinal de prevenção

Ministério da Saúde reforça vacinação, bloqueio vacinal e monitoramento em resposta a casos suspeitos de sarampo

Bahia Mundo Notícias
Surto de sarampo em países das Américas acende sinal de prevenção
Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

O Brasil está em alerta máximo por causa dos surtos de sarampo em outros países do continente americano. Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, ações de prevenção e controle estão sendo realizadas de forma constante para manter o país como área livre da doença.

No ano passado, 14.891 casos foram registrados em 14 países das Américas, com 29 mortes. Em 2026, até o dia 5 de março, foram confirmadas 7.145 infecções.

No Brasil, a primeira infecção do ano foi confirmada na semana passada, em uma bebê de 6 meses na cidade de São Paulo. A paciente contraiu a doença durante uma viagem à Bolívia, país que enfrenta um surto ativo.

Em 2025, 38 casos de sarampo foram confirmados no Brasil. Ainda assim, o país não corre risco de perder o certificado de área livre da doença, reconquistado em 2024, pois não há transmissão sustentada em território nacional.

“Por conta do cenário internacional, o Ministério [da Saúde] está em alerta máximo. Nós vamos manter essa certificação, mas, para isso, a gente precisa continuar vacinando a população e alertando que a vacina é a principal prevenção, além de promover ações específicas em locais que estão com a cobertura mais baixa”, explica Gatti.

O Ministério da Saúde realiza campanhas de vacinação nas áreas de fronteira. O calendário básico do Sistema Único de Saúde (SUS) prevê duas doses da vacina contra o sarampo: a primeira aos 12 meses, como parte do imunizante tríplice viral, e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral.

No ano passado, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose, mas apenas 77,9% completaram o esquema na idade correta. Todas as pessoas com até 59 anos que não tenham comprovante das duas doses devem se imunizar.

Segundo Gatti, as autoridades de saúde realizam investigação rigorosa e resposta imediata a todos os casos suspeitos, mesmo que a maioria se revele negativa.

Bloqueio vacinal

Em 2025, 3.818 suspeitas de sarampo foram notificadas. Em 2026, até 26 de janeiro, foram registradas 27 suspeitas.

“Pegando como exemplo esse caso confirmado, quando o município fez a identificação da suspeita, prontamente notificou o Ministério e já começou o bloqueio vacinal. Ou seja, levantou todas as pessoas que tiveram contato com o possível doente para identificar outros sintomáticos e eventuais fontes da infecção. Aí, bloqueia-se todo mundo, aplicando a vacina”, explica o diretor do PNI.

Em seguida, uma força-tarefa faz busca ativa de outros casos suspeitos, visitando residências no entorno da pessoa possivelmente infectada. Os vizinhos também recebem a vacinação preventiva. Profissionais de saúde realizam varredura em laboratórios e unidades de saúde, procurando pacientes com sintomas não notificados.

Quando a suspeita é descartada após exames laboratoriais, os esforços são encerrados. Se a infecção é confirmada, paciente e comunidade continuam sendo monitorados por três meses para descartar novas infecções, antes do encerramento oficial do caso.

As medidas de resposta incluem ainda a “dose zero” para bebês de 6 meses a 1 ano que tiveram contato com o possível infectado, mantendo a necessidade das duas doses na idade correta.

Preocupação com viagens

Eder Gatti ressalta que o Brasil possui ferramentas para impedir que surtos de outros países se espalhem internamente.

Ele alerta que, em junho e julho, durante a Copa do Mundo, Estados Unidos, México e Canadá, países com surto grave, receberão muitos turistas, incluindo brasileiros, aumentando o risco de disseminação.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já divulga mensagens sobre vacinação em aeroportos e portos.

“Temos muitas áreas turísticas que recebem estrangeiros, principalmente nosso litoral, Amazônia, Pantanal, Foz do Iguaçu. E uma ampla fronteira terrestre com várias cidades gêmeas, com circulação de muita gente. Por isso, não podemos nunca deixar de falar de sarampo e da vacinação e fazer ações para manter as altas coberturas”, conclui Gatti.

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