Sem São João: Prefeitura de Ilhéus cancela festa e decisão amplia pressão sobre gestão Valderico

Município alega entraves burocráticos e impossibilidade de concluir contratações dentro do prazo legal

Política
Sem São João: Prefeitura de Ilhéus cancela festa e decisão amplia pressão sobre gestão Valderico
São João de Ilhéus | Reprodução/TV Santa Cruz

Os festejos juninos não vão acontecer em Ilhéus neste ano. A Prefeitura anunciou, na última quinta-feira (28), o cancelamento do “Meu São João Amado 2026”, alegando que não foi possível concluir, dentro do prazo legal, os procedimentos administrativos necessários para viabilizar a realização do evento.

A decisão aumentou a pressão contra o o prefeito Valderico Júnior (União Brasil), que já enfrenta desgaste.

De acordo com a gestão municipal, a decisão foi tomada com base em critérios de responsabilidade administrativa e em conformidade com as orientações dos órgãos de controle que fiscalizam os gastos públicos durante o período junino.

Prefeitura aponta entraves burocráticos

Em nota divulgada pela Secretaria de Turismo, o município informou que a organização da festa vinha sendo planejada antecipadamente, com o objetivo de impulsionar a cultura local e movimentar a economia da cidade durante o período junino.

No entanto, segundo a administração, a execução do evento acabou esbarrando na impossibilidade de finalizar todos os procedimentos burocráticos exigidos para garantir segurança jurídica às contratações.

A prefeitura também citou a apreensão de equipamentos considerados essenciais para a conclusão de processos administrativos internos, situação que, segundo o comunicado, comprometeu a continuidade dos trabalhos dentro do cronograma necessário.

Ainda na nota, a gestão ressaltou que não realiza qualquer procedimento sem respaldo legal e destacou o compromisso com a transparência na utilização dos recursos públicos.

Orientação dos órgãos de controle

A administração municipal também mencionou a Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, elaborada pelo Ministério Público do Estado da Bahia, pelo Tribunal de Contas do Estado da Bahia e pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia.

O documento estabelece diretrizes para orientar as prefeituras baianas na contratação de artistas para os festejos juninos e recomenda que os municípios utilizem como parâmetro os cachês praticados entre maio e julho de 2025, corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A norma também prevê exigências adicionais para contratações superiores a R$ 700 mil. Nesses casos, os gestores devem apresentar justificativas técnicas mais detalhadas, comprovação de capacidade financeira e declaração de que não haverá suplementação orçamentária para a área da cultura, salvo situações específicas.

Decisão aumenta desgaste político

O cancelamento da principal festa popular do município ocorre em um momento de atenção para a gestão do prefeito Valderico Júnior.

Embora a prefeitura sustente que a medida foi motivada por questões administrativas e legais, a decisão tem potencial para gerar repercussão entre comerciantes, trabalhadores informais e setores que tradicionalmente dependem da movimentação econômica provocada pelos festejos juninos.

A suspensão do evento retira da cidade uma das principais oportunidades de geração de renda do período e amplia a pressão política sobre a administração municipal nos próximos meses.

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