Salvador ganha primeira microfloresta urbana para combater ilhas de calor e mitigar efeitos climáticos
Projeto foi viabilizado por meio de uma cooperação técnica entre a Secis e uma cervejaria

A capital baiana passou a contar, nesta segunda-feira (1º), com sua primeira microfloresta urbana, implantada em um terreno de aproximadamente mil metros quadrados localizado entre as avenidas Gal Costa e Jayme Figura. A iniciativa faz parte do programa municipal Ambientaliza e integra o Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima (PMAMC).
O projeto foi viabilizado por meio de uma cooperação técnica entre a Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis) e a cervejaria Heineken, tornando Salvador a sétima capital brasileira — e a primeira no ano de 2026 — a receber a infraestrutura verde da empresa.
O projeto consistiu no plantio adensado de 1.063 mudas de árvores nativas, abrangendo uma variedade de 35 a 40 espécies exclusivas do bioma da Mata Atlântica, tais como jequitibá, jatobá, pau-brasil, jacarandá-da-bahia, ipê, ingá, angico e canafístula.
Conhecido tecnicamente como “floresta de bolso”, esse modelo de paisagismo ecológico adota um método de cultivo de alta densidade que acelera o crescimento da cobertura vegetal e mimetiza a dinâmica de um ecossistema natural.
“O projeto da microfloresta representa mais um passo importante de Salvador na construção de uma cidade mais resiliente e sustentável. Estamos falando de uma solução baseada na natureza, capaz de melhorar o microclima urbano, ampliar a biodiversidade e contribuir diretamente para a redução das ilhas de calor”, afirmou o secretário da Secis, Ivan Euler.
A engenharia do espaço também contemplou a inserção de árvores frutíferas endêmicas, como araçá, pitanga, jabuticaba e grumixama, com o objetivo de atrair a avifauna local e permitir o consumo direto por parte das comunidades do entorno.
A escolha estratégica da área levou em consideração os índices de densidade demográfica e a escassez histórica de arborização no miolo urbano de Salvador. De acordo com a Secis, a microfloresta funciona como uma solução baseada na natureza voltada diretamente para a captura de carbono, filtragem de poluentes atmosféricos e regulação térmica do microclima, atuando no resfriamento de áreas críticas afetadas pelo fenômeno das ilhas de calor urbano.
“Toda ação de arborização ajuda na captura de carbono da atmosfera e na redução dos gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, melhora o microclima local, reduz as temperaturas e favorece o retorno da biodiversidade para as áreas urbanas”, acrescentou Ivan Euler.
Moradores tradicionais de bairros vizinhos, como São Marcos, sinalizaram apoio à intervenção ambiental e iniciaram articulações comunitárias com lideranças locais para monitorar o desenvolvimento das mudas e garantir a preservação do novo patrimônio ecológico da região.
Pelo lado da iniciativa privada, a implantação faz parte da plataforma de sustentabilidade corporativa Green Your City, cuja meta global estabelece a entrega de 19 microflorestas em capitais do país até o ano de 2030.
A direção industrial da Heineken ressaltou que o investimento em Salvador compõe uma agenda de transição ecológica que engloba o fomento a matrizes de energia renovável na planta fabril de Alagoinhas, a ampliação do uso de embalagens circulares retornáveis e o suporte a políticas públicas de segurança e consumo consciente de álcool nas principais metrópoles regionais.
“A plataforma Green Your City reúne metas importantes até 2030, incluindo energia renovável, economia circular, consumo responsável e implantação de microflorestas. Salvador passa a integrar esse movimento que busca tornar as cidades mais sustentáveis e resilientes”, afirmou diretor industrial da Heineken em Alagoinhas, Dilermando Pessoa.



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