Salvador ganha o maior mural horizontal já realizado por artistas indígenas no Brasil

Com cerca de 200 metros de extensão, obra de Thiago Tupinambá e Isa Muriá transforma corredor viário da capital baiana e integra novo Circuito de Murais do BRT

Bahia Salvador
Salvador ganha o maior mural horizontal já realizado por artistas indígenas no Brasil
Foto: Divulgação

Salvador acaba de incorporar um novo marco ao cenário nacional da arte urbana. O mural “Águas Ancestrais – Corpo-Rio, Território Vivo”, criado pelos artistas Thiago Tupinambá, indígena baiano, e Isa Muriá, indígena paraense, é apontado como o maior mural horizontal já produzido por artistas indígenas no Brasil.

A obra foi concluída e entregue à população na ligação Iguatemi–Paralela, um dos principais corredores viários da capital baiana. Com aproximadamente 200 metros de extensão, a intervenção transforma uma ampla superfície de concreto em um espaço dedicado à memória, ancestralidade, identidade e presença indígena no ambiente urbano.

Realizado pela Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM), e pela Trevo Produções, o mural integra o Circuito de Murais do BRT – Arte como Respiro, Memória e Território Vivo em Salvador. A iniciativa tem curadoria e concepção do Projeto MURAL – Movimento Urbano de Arte Livre.

O circuito busca ampliar a presença da arte pública em Salvador e aproximar a produção artística contemporânea das milhares de pessoas que circulam diariamente pelos corredores de mobilidade da cidade. O Itaigara também faz parte da segunda etapa do projeto, que já está em andamento.

Rio simbólico atravessa mural em Salvador

A concepção de “Águas Ancestrais” parte do significado de origem Tupi-Guarani atribuído ao nome Iguatemi, relacionado às expressões “rio ondulante” ou “água que corre”.

A partir dessa referência, Thiago Tupinambá e Isa Muriá desenvolveram uma composição formada por grafismos, símbolos, referências sonoras e elementos associados à memória e ao movimento. Um grande rio percorre visualmente toda a intervenção, conectando as diferentes partes da obra.

A água funciona como elemento central da narrativa, representando a circulação de histórias, identidades e conhecimentos ancestrais. A proposta também estabelece relações entre corpo, território, natureza, cidade e ancestralidade.

No espaço onde existia o Rio Camarajipe, o mural apresenta um “rio simbólico” de cerca de 200 metros. A composição inclui referências às carrancas do Rio São Francisco, que se encontram simbolicamente com a Cidade da Música da Bahia. Dessa conexão surgem elementos apresentados como altares sonoros, aproximando a música de Salvador das referências ancestrais presentes na obra.

Artistas da Bahia e do Pará unem referências

A criação reúne artistas indígenas de diferentes regiões do país. Thiago Tupinambá leva para o projeto referências ligadas à Bahia, enquanto Isa Muriá incorpora elementos relacionados à sua trajetória no Pará.

O encontro entre os dois artistas estabelece um diálogo entre diferentes territórios e manifestações culturais, levando ao espaço público uma produção contemporânea conectada à diversidade dos povos indígenas brasileiros.

Além das dimensões da intervenção, o projeto destaca o protagonismo de artistas indígenas na produção de suas próprias narrativas. A proposta é ampliar a presença desses autores no circuito de arte urbana e na ocupação cultural dos espaços públicos.

Mural passa a integrar paisagem de Salvador

Instalada em uma das regiões de maior circulação de Salvador, a obra passa a fazer parte permanentemente da paisagem urbana da capital. O mural pode ser observado por motoristas, usuários do transporte público, ciclistas, pedestres, moradores e turistas que passam pela ligação Iguatemi–Paralela.

A intervenção também busca ampliar o acesso da população à arte fora dos espaços tradicionais de exposição, além de valorizar o espaço público e evidenciar a presença indígena na formação cultural brasileira contemporânea.

Com “Águas Ancestrais”, o Circuito de Murais do BRT amplia o conjunto de intervenções artísticas espalhadas pela cidade, tendo memória, diversidade cultural e ocupação do espaço urbano como alguns de seus principais eixos.

Ficha técnica

Obra: Águas Ancestrais – Corpo-Rio, Território Vivo
Local: ligação Iguatemi–Paralela, Salvador (BA)
Projeto: Circuito de Murais do BRT – Arte como Respiro, Memória e Território Vivo
Artistas: Thiago Tupinambá e Isa Muriá
Curadoria: Vanessa Vieira / Projeto MURAL
Coordenação executiva: Marcos Clement
Produção de campo: Gui Capriolli
Assistente de produção: Rubens Chagas – Suck
Assistentes de pintura: Flávio Córtex, Pérola Aimée e Canário
Apoio: Transalvador
Realização: Trevo Produções, Fundação Gregório de Mattos e Prefeitura de Salvador

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