Salário do brasileiro bate recorde e ultrapassa R$ 3,7 mil em 2026

Dados da Pnad Contínua mostram avanço da renda, queda da informalidade e menor taxa de desemprego para o período

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Salário do brasileiro bate recorde e ultrapassa R$ 3,7 mil em 2026
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro alcançou R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026, registrando crescimento real de 5,5% em comparação ao mesmo período de 2025, já descontada a inflação. Trata-se do maior valor desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012.

Este é o segundo trimestre consecutivo em que a renda média supera a marca de R$ 3,7 mil. No trimestre encerrado em fevereiro, o rendimento havia sido de R$ 3.702. Já em relação ao quarto trimestre de 2025, quando o valor foi de R$ 3.662, houve alta de 1,6%.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.

Setores com aumento de renda

A pesquisa abrange dez grupos de atividades econômicas. Em oito deles, o rendimento médio permaneceu estável, sem variação significativa. Já dois setores apresentaram crescimento:

  • Comércio: aumento de 3% (mais R$ 86)
  • Administração pública: alta de 2,5% (mais R$ 127)

Fatores que explicam o aumento

De acordo com a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, o reajuste do salário mínimo, fixado em R$ 1.621 no início de janeiro, contribuiu para o avanço da renda.

“Pode ter uma participação já dessa questão do reajuste do salário mínimo, que é uma recomposição e até ganhos reais [acima da inflação].”

Outro fator apontado pela especialista foi a redução no número de trabalhadores ocupados. No primeiro trimestre de 2026, houve diminuição de 1 milhão de pessoas em relação ao trimestre anterior, com maior impacto entre trabalhadores informais, que geralmente possuem rendimentos menores.

“Então, a média de rendimento dos que estão ocupados nesse primeiro trimestre de 2026, comparativamente, é maior que a média de rendimento do quarto trimestre”, completa.

Massa salarial também cresce

A massa de rendimento dos trabalhadores atingiu R$ 374,8 bilhões, o maior valor já registrado pela pesquisa. Esse total representa a soma de todos os salários pagos no país.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, houve crescimento real de 7,1%, o equivalente a R$ 24,8 bilhões a mais circulando na economia.

Esse dinheiro é destinado ao consumo, pagamento de dívidas, investimentos e poupança, impactando diretamente a atividade econômica.

Mais trabalhadores contribuem para a previdência

O levantamento também mostrou que 66,9% dos trabalhadores ocupados contribuíram para a previdência no primeiro trimestre de 2026, a maior proporção já registrada. Isso corresponde a 68,174 milhões de pessoas com proteção social.

Contribuintes têm acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte.

Segundo o IBGE, são considerados contribuintes empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e autônomos que contribuem para sistemas previdenciários federais, estaduais ou municipais.

A queda da informalidade foi determinante para esse avanço. “Os informais contribuem menos para a previdência”, explicou Adriana Beringuy.

Informalidade recua no país

A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores sem direitos trabalhistas garantidos.

O índice representa leve queda em relação ao final de 2025 (37,6%) e ao primeiro trimestre de 2025 (38%).

O IBGE ressalta que trabalhadores informais também podem contribuir individualmente para o INSS, mesmo sem CNPJ.

Desemprego atinge menor nível para o período

A taxa de desemprego ficou em 6,1% no primeiro trimestre de 2026, o menor índice já registrado para esse período.

A Pnad Contínua considera como desocupadas apenas as pessoas que procuraram trabalho nos 30 dias anteriores à pesquisa. O levantamento é realizado em cerca de 211 mil domicílios em todo o país, incluindo todos os estados e o Distrito Federal.

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