Saiba quem são os traficantes chefes de facções que comandavam esquema de recados por advogados

Polícia
Saiba quem são os traficantes chefes de facções que comandavam esquema de recados por advogados

A investigação que resultou na prisão de dez advogados na Bahia revelou a atuação de uma rede de comunicação entre integrantes de facções criminosas presos no sistema penitenciário e lideranças que permaneciam em liberdade. Segundo as autoridades, os profissionais levavam ordens, informações estratégicas e orientações dos chefes das organizações criminosas, funcionando como intermediários entre os detentos e seus comparsas.

De acordo com a força-tarefa responsável pela Operação Além da Cela, o grupo atuava em benefício de integrantes de duas das principais facções criminosas em atividade na Bahia: o Bonde do Maluco (BDM) e o Comando Vermelho (CV).

Entre os principais alvos da investigação está José Francisco Lumes de Oliveira, conhecido como “Zé de Lessa”. Apontado como uma das maiores lideranças do BDM, ele é acusado de comandar homicídios, tráfico de drogas e disputas territoriais mesmo estando preso. Conforme as investigações, suas determinações eram transmitidas para comparsas por meio de advogados.

Outro nome de destaque é José Roberto Santos de Souza, o “Zeca”, considerado uma das principais lideranças do Comando Vermelho na Bahia. Preso, ele é investigado por continuar exercendo influência sobre integrantes da facção, determinando ações criminosas e administrando o tráfico em diversas regiões do estado.

Também figura entre os líderes monitorados José Carlos dos Santos, conhecido como “Grandão”, apontado como integrante da cúpula do BDM. Segundo a investigação, ele mantinha contato frequente com advogados para enviar orientações a membros da organização criminosa fora do presídio.

As apurações identificaram ainda José Valter Andrade da Silva, o “Valtinho”, investigado por exercer papel estratégico dentro do BDM e por participar da coordenação das atividades da facção mesmo custodiado no sistema prisional.

As autoridades afirmam que os advogados presos utilizavam atendimentos jurídicos para transmitir mensagens, ordens e informações consideradas sigilosas entre os chefes das facções e integrantes em liberdade. O esquema, segundo a investigação, permitia que decisões relacionadas ao tráfico de drogas, execuções e disputas por territórios continuassem sendo tomadas de dentro das unidades prisionais.

A Operação Além da Cela foi deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em conjunto com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e as polícias Civil e Militar. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar o alcance da rede de comunicação utilizada pelas organizações criminosas.

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