Roma define nova medida contra Bolsonaro como “absurda e passional”
O ministro Alexandre de Moraes suspendeu visitas de Flávio Bolsonaro ao pai

O presidente do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado, João Roma, criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que suspendeu, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi dada nesta terça-feira (14), durante entrevista à Rádio Metrópole.
Roma classificou a medida como “absurda” e afirmou que a decisão extrapola os limites da atuação do Judiciário.
“É uma decisão absurda, uma decisão passional, que coloca tempero na execução jurídica. A gente fica fazendo uma Justiça espetaculosa, jogando para a plateia. Isso não é saudável para toda a nossa sociedade”, afirmou.
O dirigente do PL também comparou a situação de Bolsonaro ao período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso. De acordo com Roma, enquanto Lula pôde conceder entrevistas, divulgar cartas e receber visitas, Bolsonaro estaria enfrentando limitações até mesmo para ter contato com familiares.
Durante a entrevista, o ex-ministro destacou que Flávio Bolsonaro integra a defesa do pai no processo e questionou a suspensão das visitas. Para Roma, a carta divulgada pelo senador não ultrapassa os limites do debate político comum ao período de pré-campanha.
“A carta de Bolsonaro não vai além do que se observa em todas as facetas políticas, da esquerda à direita, nesses meses que antecedem o período eleitoral. Todo mundo está falando de suas propostas, das debilidades dos adversários e dos sonhos que tem para o futuro da sociedade”, declarou.
A decisão de Alexandre de Moraes foi tomada após Flávio Bolsonaro divulgar, em suas redes sociais, uma carta escrita pelo ex-presidente. Na avaliação do ministro, a publicação violou a medida cautelar que proíbe Jair Bolsonaro de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
Além de suspender as visitas por 90 dias, Moraes determinou que as defesas de Bolsonaro e de Flávio prestem esclarecimentos em até 48 horas e encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada.
“Mesmo aqueles que não simpatizam e que não são apoiadores do presidente Bolsonaro percebem com clareza que Alexandre de Moraes exagerou na dose e colocou muito passionalismo em algo em que a Justiça deveria fazer justamente o contrário: serenar os ânimos para tentar unir a nossa sociedade em torno de um futuro comum”, concluiu.



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