Rede municipal de Salvador oferece cerca de 180 mil refeições por dia a 160 mil estudantes

Ação educativa em Águas Claras marca a programação do Dia Mundial da Alimentação, nesta sexta-feira (16)

Política
Rede municipal de Salvador oferece cerca de 180 mil refeições por dia a 160 mil estudantes
Foto: Robson Lopes/ Secom PMS

A rede municipal de ensino de Salvador distribui cerca de 180 mil refeições por dia para aproximadamente 160 mil estudantes, incluindo alunos de instituições conveniadas. A operação atende mais de 400 unidades escolares e envolve cerca de 600 merendeiras e 80 nutricionistas. Considerando os 200 dias letivos, são quase 36 milhões de refeições por ano, com acompanhamento nutricional e ações de incentivo a hábitos alimentares saudáveis.

Na véspera do Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta sexta-feira (16), a iniciativa destaca a importância da alimentação para o crescimento, o desenvolvimento e a aprendizagem de crianças e adolescentes. Na Escola Municipal Eduardo Campos, em Águas Claras, uma atividade de educação nutricional foi realizada nesta quinta-feira (15), com acompanhamento da equipe de nutrição da Gerência Regional de Educação (GRE) Cajazeiras.

Por meio de jogos e explicações adaptados à linguagem dos estudantes, a ação busca estimular escolhas conscientes e explicar por que determinados alimentos fazem parte do cardápio escolar. Para a vice-diretora da unidade, Raquel Nascimento Cerqueira, a presença de uma nutricionista complementa os conteúdos trabalhados em sala de aula e permite esclarecer dúvidas dos alunos.

“Quando eles veem uma ação com uma nutricionista, têm a oportunidade de tirar dúvidas mais específicas. A forma que ela está usando é bem didática, com jogos na linguagem deles”, destacou.

Segundo a educadora, o aprendizado também pode chegar às famílias, à medida que as crianças compartilham em casa as informações recebidas na escola. Na unidade, é oferecida uma refeição por turno, conforme o cardápio elaborado pelas nutricionistas.

Entre os estudantes, o reconhecimento pelo trabalho das equipes de cozinha também aparece nos relatos de quem recebe as refeições diariamente. Sanderson Santos Minelli, de 12 anos, aluno do terceiro ano, afirma que uma alimentação adequada contribui para ter energia durante o dia.

“Eu valorizo muito porque elas fazem uma comida muito boa”, contou o estudante, ao se referir às profissionais responsáveis pelo preparo das refeições.

Melissa Lima Santos, de oito anos, aluna do segundo ano, também associou a alimentação escolar ao cuidado.

“As pessoas gostam da comida da escola porque a tia faz com amor e carinho”, afirmou.

Cardápios consideram idade e jornada escolar

O planejamento da alimentação começa antes de as refeições chegarem aos estudantes. Os cardápios são elaborados por nutricionistas de acordo com a faixa etária, o tempo de permanência na escola e a modalidade de ensino, seguindo as normas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A nutricionista Ayala Portela, responsável pelo acompanhamento das unidades da GRE Cajazeiras, explica que o planejamento considera as necessidades dos alunos desde a Educação Infantil até a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

“O cardápio é pensado para suprir essas necessidades durante o período em que o aluno estiver na unidade escolar”, explicou.

Na regional, o acompanhamento abrange 45 escolas e inclui a supervisão dos serviços prestados pelas empresas responsáveis pelas cozinhas. Entre os aspectos observados estão o armazenamento dos ingredientes, o preparo e a qualidade das refeições.

A quantidade de refeições varia conforme a etapa de ensino e o tempo de permanência dos estudantes. Nas creches, por exemplo, são servidas cinco refeições por dia. Já nas escolas de tempo integral do Ensino Fundamental, a alimentação inclui opções distribuídas ao longo da jornada, como desjejum, almoço e lanche.

A variedade de preparações também integra o planejamento. Frutas, sanduíches, cuscuz, batata-doce, aipim e ovos estão entre os alimentos oferecidos, ao lado de pratos como baião de dois, feijoadinha escolar, moqueca de ovos e frango com quiabo e abóbora.

Segundo Ayala Portela, preparações salgadas mais completas costumam ser incluídas duas vezes por semana no cardápio dos estudantes de tempo parcial, que recebem de uma a duas refeições por dia.

“A escola é um espaço de promoção de hábitos alimentares saudáveis e de garantia do direito humano à alimentação adequada e saudável”, reforçou a nutricionista.

Nutrição e aprendizagem

De acordo com Juliana Garcia, coordenadora e responsável técnica pela Alimentação Escolar, a prioridade é oferecer refeições equilibradas, com alimentos in natura e minimamente processados. Além de contribuir para o crescimento e o desenvolvimento dos estudantes, a alimentação adequada favorece a concentração, a disposição e a aprendizagem.

O acompanhamento é realizado pela Coordenadoria de Alimentação Escolar (CAE), cuja equipe técnica atua no planejamento dos cardápios, na orientação das unidades, no monitoramento dos serviços e na fiscalização da qualidade dos alimentos e das refeições. O trabalho também conta com nutricionistas das empresas prestadoras de serviço. Ao todo, as equipes reúnem cerca de 80 profissionais.

Nas cozinhas, aproximadamente 600 merendeiras participam do preparo e da oferta das refeições, seguindo os cardápios e as orientações de higiene e segurança alimentar.

Entre os avanços, Juliana destaca a organização e o monitoramento dos serviços, o aprimoramento dos cardápios e o fortalecimento das ações de educação alimentar e nutricional. Ela também aponta desafios para manter a qualidade do atendimento em toda a rede municipal.

“Entre os desafios, estão garantir a regularidade e a qualidade do atendimento em todas as mais de 400 unidades, assegurar o cumprimento dos cardápios e dos contratos e manter o padrão de qualidade em uma operação de grande dimensão, que atende diariamente milhares de estudantes”, afirmou.

Além do acompanhamento técnico, a alimentação escolar conta com o controle social exercido pelo Conselho Municipal de Alimentação Escolar (Comae). O órgão acompanha e fiscaliza a execução do PNAE, contribuindo para a transparência e a qualidade das refeições oferecidas aos estudantes.

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