Qualidade dos óvulos é fator decisivo na preservação da fertilidade, alertam especialistas
Especialistas destacam que a qualidade dos óvulos influencia diretamente as chances de gravidez e reforçam a importância do planejamento reprodutivo

A preservação da fertilidade tem se tornado um tema cada vez mais presente entre mulheres que optam por adiar a maternidade por razões pessoais, profissionais ou relacionadas à saúde. Nesse cenário, especialistas reforçam que o fator determinante para o sucesso reprodutivo não está apenas na quantidade de óvulos disponíveis, mas principalmente na qualidade dessas células.
A capacidade do óvulo de resultar em uma gestação saudável está associada à integridade genética, ao potencial de fertilização e ao desenvolvimento adequado do embrião. Dessa forma, ter um número elevado de óvulos não representa, necessariamente, maiores chances de gravidez.
Com o avanço da idade, sobretudo após os 35 anos, ocorre uma redução progressiva na qualidade dos óvulos. Esse processo está relacionado ao aumento das alterações cromossômicas, condição que pode dificultar a gestação e elevar os riscos de abortamento.
Dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida indicam que a idade feminina continua sendo um dos principais fatores que impactam a fertilidade, influenciando diretamente a qualidade dos óvulos ao longo dos anos. Esse cenário tem contribuído para o aumento da procura por estratégias que auxiliem na preservação do potencial reprodutivo.
“O que realmente determina o sucesso reprodutivo não é apenas o número de óvulos, mas a qualidade dessas células. Com o passar do tempo, há um aumento no risco de alterações genéticas, o que pode comprometer tanto a fertilização quanto o desenvolvimento do embrião”, explica Graziele Reis.
Entre as alternativas disponíveis, o congelamento de óvulos vem ganhando espaço como ferramenta de planejamento reprodutivo. A técnica permite que as células sejam coletadas em uma fase de maior qualidade biológica — normalmente antes dos 35 anos — para utilização futura.
Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os procedimentos de reprodução assistida vêm registrando crescimento no Brasil nos últimos anos, acompanhando mudanças no comportamento feminino relacionadas à autonomia e ao planejamento da maternidade.
“Quando falamos em preservação da fertilidade, estamos falando em estratégia. O congelamento permite que a mulher utilize, no futuro, óvulos com características de uma fase mais jovem, o que aumenta significativamente as chances de sucesso”, destaca a Dra. Graziele Reis.
O avanço das técnicas laboratoriais também tem contribuído para os resultados positivos. Atualmente, a vitrificação é considerada o método mais utilizado no congelamento de óvulos. O procedimento utiliza um congelamento ultrarrápido que reduz a formação de cristais de gelo, evitando danos celulares comuns em métodos mais antigos.
Com isso, os óvulos conseguem preservar características estruturais e funcionais mesmo após o descongelamento, fator que influencia diretamente as taxas de fertilização e o desenvolvimento embrionário.
Embora a reserva ovariana continue sendo um indicador relevante na avaliação da fertilidade feminina, especialistas ressaltam que a análise precisa considerar também a qualidade das células.
Na prática clínica, mulheres com uma reserva ovariana considerada satisfatória podem apresentar óvulos com baixa qualidade, reduzindo as possibilidades de gestação. Em contrapartida, mesmo em menor quantidade, óvulos saudáveis costumam apresentar melhores resultados.
“A gente precisa mudar a lógica de olhar apenas para números. A fertilidade não pode ser avaliada exclusivamente pela quantidade de óvulos, mas pelo potencial real de cada um deles”, reforça a médica.
A decisão de preservar a fertilidade pode estar relacionada a diferentes situações, como planejamento profissional, ausência de parceiro, condições de saúde ou histórico familiar de menopausa precoce. Especialistas ressaltam ainda que o acesso à informação é um fator importante para decisões mais conscientes sobre o futuro reprodutivo.
“Falar sobre fertilidade hoje é também falar sobre informação, planejamento e autonomia. Quanto mais cedo a mulher entende como funciona seu potencial reprodutivo, maiores são suas possibilidades de escolha ao longo da vida. A preservação da fertilidade surge como uma ferramenta que alia ciência e qualidade de vida, permitindo que decisões importantes sejam tomadas com mais segurança”, conclui a Dra. Graziele Reis.
Fundado em 1990, o IVI – RMANJ iniciou suas atividades como a primeira instituição médica da Espanha dedicada integralmente à reprodução humana. Atualmente, o grupo reúne aproximadamente 190 clínicas em 15 países e sete centros de pesquisa no mundo.



Comentários: