Programa em Salvador oferece tratamento gratuito contra o tabagismo em 88 unidades de saúde

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o tabagismo gera 477 mortes diárias no Brasil

Salvador
Programa em Salvador oferece tratamento gratuito contra o tabagismo em 88 unidades de saúde
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS

A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), está intensificando as ações do Programa Municipal de Controle do Tabagismo, uma estratégia estruturada há 20 anos para oferecer suporte clínico e terapêutico integral a cidadãos que buscam superar a dependência da nicotina.

Atualmente, a rede de atenção primária da capital baiana conta com 88 unidades de saúde credenciadas no projeto, que realizam o acompanhamento 100% gratuito financiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A relevância do serviço é respaldada por dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que apontam que o tabagismo gera 477 mortes diárias no Brasil e um impacto econômico e assistencial de R$ 153,5 bilhões anuais.

O protocolo de atendimento do programa soteropolitano prioriza as abordagens psicoterapêuticas em grupo, modelo considerado cientificamente mais eficaz do que as tentativas de cessação individuais isoladas. Cada turma reúne uma média de 20 participantes para sessões de troca de vivências e fortalecimento emocional.

Antes do ingresso nas dinâmicas coletivas, os pacientes passam por uma triagem clínica detalhada, baseada em questionários do INCA e na aplicação do teste de Fagerström, ferramenta técnica utilizada para mensurar o grau exato de dependência química.

A partir desse diagnóstico individual, as equipes médicas e de enfermagem prescrevem o tratamento farmacológico adequado, que inclui o fornecimento de adesivos de reposição de nicotina nas dosagens de 7 mg, 14 mg e 21 mg, além de medicações de uso oral nos casos de maior complexidade.

A coordenação da Estratégia de Saúde da Família na capital alerta, contudo, que as equipes de saúde mental e de atenção básica enfrentam um novo desafio epidemiológico: o avanço acelerado do uso de dispositivos eletrônicos para fumar, popularmente conhecidos como vapes.

Os técnicos da SMS advertem que esses aparelhos utilizam flavorizantes e aromas atrativos direcionados ao público jovem para mascarar altas concentrações de nicotina sintética combinadas com metais pesados e substâncias tóxicas em suspensão no vapor.

Essa composição química alternativa desencadeia processos inflamatórios severos no tecido pulmonar, eleva a incidência de infartos agudos do miocárdio e provoca lesões respiratórias agudas graves em curto prazo.

“Estudos indicam que as terapias em grupo são mais eficazes para parar de fumar do que as tentativas individuais. O grupo se caracteriza como um espaço de cuidado, troca de experiências e fortalecimento. Os participantes enfrentam esse processo com apoio e não se sentem sozinhos. O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência da nicotina, analisou Mônica Campos, subcoordenadora de Ações Estratégicas na Atenção Primária à Saúde de Salvador.

Além do câncer, a exposição ao tabaco pode causar infarto, AVC, hipertensão, doenças pulmonares e o agravamento de doenças crônicas. O vício mudou; o perigo agora é o vape. Ao atrair os jovens com sabores e aromas, o cigarro eletrônico esconde um grande risco: o que parece ser apenas vapor é uma mistura de nicotina concentrada e metais tóxicos”, completou Campos, ressaltando o papel do município na véspera do Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste domingo (31).

“Eu já tinha interesse em parar de fumar, e esse convite foi a oportunidade que faltava. Vim, fiz minha inscrição, participei e continuo participando até hoje. É um programa muito bom. Minha vida mudou, inclusive em relação ao paladar. Mudei minha alimentação e alguns hábitos que eu tinha quando era viciado em cigarro. Vejo que já está na hora de parar de fumar, por causa da idade e de muitos outros motivos. Se eu não parasse, provavelmente enfrentaria problemas de saúde. Decidi que este é o momento, e o programa foi um incentivo a mais para conseguir parar”, relatou o soteropolitano Balbino José Ferreira, de 69 anos, que iniciou o vício aos 18 anos e conseguiu abandonar o cigarro há quase dois meses por meio do suporte recebido na Unidade de Saúde da Família (USF) Pituaçu.

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